Clarificação sustentável na produção de vinho do Porto: em busca de alternativas de colagem proteica não animal

Autores

  • Diana Silva LAQV/REQUIMTE, Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto
  • Mariana Carvalho REQUIMTE/LAQV, Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Porto, Portugal
  • Luís Sottomayor Sogrape Vinhos, S.A., Avintes 4430-852, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • António Graça Sogrape Vinhos, S.A., Avintes 4430-852, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Víctor Freitas REQUIMTE, LAQV, Department of Chemistry and Biochemistry, Faculty of Sciences, University of Porto, Porto, Portugal
  • David Miranda REQUIMTE, LAQV, Department of Chemistry and Biochemistry, Faculty of Sciences, University of Porto, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7364

Palavras-chave:

One Health, vinho do Porto, colagem sustentável

Resumo

Enquadramento: A colagem é uma etapa de clarificação central na produção de vinho do Porto, tradicionalmente baseada em proteínas animais para melhorar a limpidez e a estabilidade. Preocupações com sustentabilidade One Health, alergenicidade e impacto ambiental reforçam a procura de alternativas veganas [1–3]. Assim, agentes de origem não animal podem apoiar práticas mais responsáveis, considerando saúde do consumidor e ambiente. Objetivo: Avaliar a eficiência clarificante e a viabilidade económica de agentes proteicos não animais aplicados a diferentes estilos de vinho do Porto. Métodos: Foram avaliados 11 tratamentos de colagem, incluindo 10 agentes alternativos de origem vegetal, leveduriforme e fúngica, usando gelatina como referência. Os ensaios decorreram em vinhos do Porto Reserva Branco, Ruby e Tawny, com três concentrações selecionadas dentro dos intervalos recomendados pelo fornecedor. Aplicou-se bentonite (45 g/hL) para garantir estabilidade proteica. A eficiência de clarificação foi avaliada indiretamente através da medição espectrofotométrica da intensidade corante. Resultados: A proteína líquida de ervilha e a proteína de levedura apresentaram as maiores reduções da intensidade corante nos vinhos avaliados. Contudo, estes agentes tiveram custos substancialmente superiores aos da gelatina (referência), com aumentos de cerca de quatro a vinte e quatro vezes, dependendo do estilo de vinho. Conclusões: Os agentes veganos podem atingir eficácia clarificante comparável à gelatina, constituindo alternativas potencialmente mais sustentáveis e sem alergenicidade de origem animal. Apesar do maior custo, a sua utilização pode ser viável quando se ponderam desempenho tecnológico e benefícios de sustentabilidade, reforçando a necessidade de equilibrar eficácia, economia e responsabilidade na produção de vinho.

Referências

[1] Ribéreau-Gayon, P.; Glories, Y.; Maujean, A.; Dubourdieu, D. Handbook of Enology. Volume 2: The Chemistry of Wine – Stabilization and Treatments. 2nd ed.; John Wiley & Sons: Chichester, UK, 2006; pp. 347–387.

[2] Marangon, M; Vicenzi, Curioni, A. Wine Fining with Plant Proteins. Molecules 2019,24(11):2186. https://doi.org/10.3390/molecules24112186

[3] Río Segade, S. et al. Phenolic composition influences the effectiveness of fining agents in vegan-friendly wine production. Molecules 2020, 25(1), 120. https://doi.org/10.3390/molecules25010120

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Publicado

06-10-2026

Como Citar

Silva, D. ., Carvalho, M., Sottomayor, L., Graça, A., Freitas, V., & Miranda, D. (2026). Clarificação sustentável na produção de vinho do Porto: em busca de alternativas de colagem proteica não animal. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(2), 20. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7364

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