Psilocibina versus extrato de Psilocybe cubensis: efeitos comportamentais e toxicológicos em ratos
DOI:
https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7366Palavras-chave:
psilocibina, Psilocybe cubensis, toxicologia comportamentalResumo
Enquadramento: A psilocibina, composto psicoativo de cogumelos Psilocybe, tem sido estudada pelo potencial terapêutico em perturbações neuropsiquiátricas [1]. Contudo, continuam escassos os dados pré-clínicos que comparem psilocibina isolada e extratos integrais, sobretudo quanto ao reforço comportamental e toxicidade periférica [2,3]. Objetivo: Comparar os efeitos comportamentais e toxicológicos da psilocibina pura e do extrato de Psilocybe cubensis em ratos Wistar Han. Métodos: Ratos Wistar Han machos (n=18) foram distribuídos aleatoriamente por três grupos: controlo (NaCl 0,9%), psilocibina pura (3 mg·Kg⁻¹) ou extrato de P. cubensis (equivalente a 3 mg·Kg⁻¹ de psilocibina/psilocina), administrados por gavagem. Os efeitos comportamentais foram avaliados por preferência condicionada de lugar (CPP), aos dias 1, 7 e 14 após tratamento. A atividade locomotora/exploratória foi estimada pelas entradas nos compartimentos. Os efeitos periféricos foram avaliados pelo peso relativo dos órgãos e peroxidação lipídica, através do ensaio de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS), no coração, cérebro, fígado e rim. A análise estatística usou a análise de variância (ANOVA; p<0,05). Os procedimentos foram aprovados pelo comité institucional de bem-estar animal (ORBEA) do IUCS e pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Resultados: A psilocibina reduziu significativamente os scores de CPP nos dias 7 e 14, sugerindo efeitos aversivos ou não reforçadores, enquanto o extrato não alterou significativamente a preferência. O extrato aumentou transitoriamente a exploração no dia 7, enquanto a psilocibina reduziu consistentemente as entradas no compartimento associado à substância. Perifericamente, a psilocibina aumentou o peso relativo do fígado, enquanto o extrato reduziu a peroxidação lipídica renal. Conclusões: Psilocibina pura e extrato de P. cubensis apresentaram perfis comportamentais e toxicológicos distintos, evidenciando efeitos de matriz relevantes.
Referências
[1] Erkizia-Santamaría, I. et al. Role of endogenous serotonin in psychedelic-like effects of psilocybin in mice. Int J Neuropsychopharmacol 2025, 28(6), pyaf035, doi:10.1093/ijnp/pyaf035
[2] Ali, A.; Gifford, M.E.; Lowe, H.; Gordon, L.; Grant, J. Natural vs. synthetic psilocybin: The same or completely different? In Mushrooms with Therapeutic Potentials: Recent Advances in Research and Development; Springer Nature: Singapore, 2023; pp. 479–492, doi:10.1007/978-981-19-9550-7_18
[3] Johnson-Groh, M. Addressing a critical knowledge gap in psychedelic research. ACS Cent Sci 2025, 11(8), 1256–126
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