O impacto da psilocibina versus extrato de Psilocybe cubensis na microbiota intestinal de ratos Wistar Han
DOI:
https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7365Palavras-chave:
psilocibina, microbiota intestinal, psicadélicosResumo
Enquadramento: A psilocibina, composto psicoativo principal de cogumelos Psilocybe, tem suscitado interesse pelo potencial terapêutico em perturbações neuropsiquiátricas [1]. Para além dos efeitos centrais, a evidência sobre o eixo intestino-cérebro sugere que os psicadélicos podem influenciar a microbiota intestinal. Extratos integrais contêm compostos bioativos adicionais, mas os dados pré-clínicos comparativos com a psilocibina pura são limitados [2,3]. Objetivo: Avaliar in vivo o impacto da psilocibina pura e do extrato de Psilocybe cubensis na microbiota intestinal. Métodos: Dezoito ratos Wistar Han machos (250–275 g; 8–9 semanas) foram distribuídos aleatoriamente por três grupos (n=6): controlo (NaCl 0,9%), psilocibina (3 mg·kg⁻¹) e extrato de P. cubensis (equivalente a 3 mg·Kg⁻¹ de psilocibina/psilocina). Os tratamentos foram administrados por gavagem (0,5 mL·Kg⁻¹). Amostras fecais foram recolhidas antes do tratamento (T1) e aos dias 7 (T7) e 14 (T14). O perfil microbiano foi obtido por sequenciação de amplicões long-read do gene do ácido ribonucleico ribossómico 16S (16S rRNA), utilizando a tecnologia SMRTbell e a plataforma PacBio. A análise estatística incluiu análise de variância (ANOVA) e beta-diversidade multivariada (p<0,05). Todos os procedimentos foram aprovados pelo comité institucional de bem-estar animal (ORBEA) e pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), de acordo com a legislação europeia e nacional. Resultados: A composição basal (T1) da microbiota foi semelhante entre grupos e manteve-se comparável em T7 e T14, no controlo. Os grupos tratados apresentaram alterações na estrutura da comunidade microbiana, com separação face ao basal e controlo em T7 e maior divergência em T14, mais marcada com a psilocibina. Conclusões: Ambos os tratamentos modularam a microbiota intestinal de forma dependente do tempo, com magnitude distinta entre composto puro e extrato.
Referências
[1] Erkizia-Santamaría, I. et al. Role of endogenous serotonin in psychedelic-like effects of psilocybin in mice. Int J Neuropsychopharmacol 2025, 28(6), pyaf035, doi:10.1093/ijnp/pyaf035
[2] Ali, A.; Gifford, M.E.; Lowe, H.; Gordon, L.; Grant, J. Natural vs. synthetic psilocybin: The same or completely different? In Mushrooms with Therapeutic Potentials: Recent Advances in Research and Development; Springer Nature: Singapore, 2023; pp. 479–492, doi:10.1007/978-981-19-9550-7_18
[3] Johnson-Groh, M. Addressing a critical knowledge gap in psychedelic research. ACS Cent Sci 2025, 11(8), 1256–126
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