Resumo
Enquadramento: Os sistemas de Preparação Individualizada da Medicação (PIM) organizam a terapêutica por toma e por dia e visam melhorar a adesão e simplificar regimes complexos, sobretudo em doentes polimedicados [1]. A adesão pode ter maior impacto na saúde pública do que muitas inovações recentes, sendo a não adesão uma das principais causas de despesa evitável [2–5].
Objectivos: Avaliar as perceções do público sobre o PIM, identificar fatores associados à disposição para pagar (DPP) e estimar os custos de implementação e funcionamento de um sistema de PIM numa farmácia comunitária.
Métodos: Estudo observacional, transversal e descritivo, com questionário online estruturado (n=263; 261 respostas válidas). Aplicou-se regressão logística binária simples para analisar associações entre DPP e variáveis sociodemográficas e comportamentais. Realizou-se ainda uma análise económica com custos fixos e variáveis (euros 2024/2025), considerando 238 dias anuais de preparação.
Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (75,5%), com idades entre 19 e 83 anos. Embora 84% não referissem dificuldades na toma da medicação, 59% não consideraram o PIM útil para si; apenas 6% o consideraram pouco útil para familiares ou conhecidos. Globalmente, 76% manifestaram DPP e 67% aceitariam pagar até 10€/mês. O sexo feminino mostrou menor probabilidade de DPP (−43%), enquanto identificar-se como familiar (+126%) e reconhecer utilidade para terceiros (+190%) aumentaram essa probabilidade. O custo total no primeiro ano foi de 70 171,68€ (9 120,00€ de investimento inicial; 21 579,00€ em consumíveis; 39 472,68€ em recursos humanos). O custo diário foi de 233,91€, sendo a mão-de-obra o principal componente. A sustentabilidade estima-se com cerca de 700 utentes a 10€/mês.
Conclusões: O PIM é percecionado como benéfico, sobretudo para terceiros. O género, quem responde e a perceção de utilidade influenciam a DPP. Apesar do investimento inicial significativo, o serviço pode tornar-se financeiramente viável através de modelos de comparticipação adequados.
Referências
1. Šola KF, Mucalo I, Brajković A, Jukić I, Verbanac D, Vladimir Knežević S. Drug therapy problems identified among older adults placed in a nursing home: the Croatian experience. Journal of International Medical Research. 2020 Jun 1;48(6). doi:10.1177/0300060520928791 PubMed PMID: 32493090.
2. Aitken M. The $200 Billion Opportunity from Using Medicines More Responsibly Find out more Find out more [Internet]. 2013. Report. Available from: www.theimsinstitute.org
3. Pereira Guerreiro M, Cantrill JA, Pisco L, Martins AP. Considerations on preventable drug-related morbidity in Primary Care Part II-Strategies to reduce the risk of preventable drug-related morbidity. Rev Port Clin Geral. 2005. Report.
4. Glass B, Haywood A, Llewelyn V, Mangan M. Compliance Aids and Medicine Stability: New Evidence of Quality Assurance. Curr Drug Saf. 2009 Feb 1;4:74–8. doi:10.2174/157488609787354459
5. Nair K V., Belletti DA, Doyle JJ, Allen RR, McQueen RB, Saseen JJ, et al. Understanding barriers to medication adherence in the hypertensive population by evaluating responses to a telephone survey. Patient Prefer Adherence. 2011;5:195–206. doi:10.2147/PPA.S18481

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