Avaliação da ingestão alimentar da dieta cremosa em doentes internados
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Palavras-chave

dieta cremosa
ingestão alimentar
satisfação
autonomia
doente internado

Como Citar

Serdoura, S., Ferreira Lopes, M., & Gomes, I. (2026). Avaliação da ingestão alimentar da dieta cremosa em doentes internados. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(1), 5. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i1.7026

Resumo

Enquadramento: A dieta cremosa é utilizada em contexto hospitalar para facilitar a ingestão alimentar em doentes com dificuldades de mastigação ou deglutição, promovendo segurança alimentar e prevenindo complicações como aspiração [1,2]. Apesar da sua utilização, a perceção dos doentes sobre satisfação, autonomia e impacto da dieta no bem-estar durante o internamento é pouco explorada, sendo importante identificar oportunidades de melhoria no serviço de alimentação [3]. Objetivo: O objetivo do presente estudo foi avaliar a ingestão alimentar da dieta cremosa em doentes internados. Métodos: Aplicação de um questionário a 101 doentes internados com prescrição de dieta cremosa. A recolha contemplou dados sociodemográficos, antropométricos e avaliação da ingestão alimentar: a consistência alimentar em casa, influência da alimentação no bem-estar, satisfação com as refeições, horários, tempo disponível para realizar a refeição, avaliação do pessoal do serviço, estado do apetite e autonomia alimentar. Os dados foram analisados de forma descritiva. Resultados: A amostra tinha idade média de 78.6 anos (desvio-padrão = 9.5), sendo 52.3% mulheres (n = 53). A maioria (75.2%) referiu que a alimentação influencia positivamente o bem-estar durante o internamento. Embora 56.4% dos doentes não seguissem uma alimentação de igual consistência em casa, 72.3% estavam satisfeitos com as refeições servidas. O apetite apresentou variação: 38.6% relatou diminuição, enquanto 37.6% indicou aumento. Apenas 28.7% realizou a refeição de forma autónoma, enquanto 49.5% precisou de auxílio. A satisfação com horários e tempo disponível foi de 75.2%, e 76.2% avaliaram positivamente o pessoal do serviço de refeições. Conclusões: A dieta cremosa demonstrou elevada satisfação e impacto positivo no bem-estar dos doentes, que avaliaram favoravelmente o serviço de alimentação. Apesar do desafio na autonomia alimentar (49.5% necessitou de auxílio), a tolerância e a aceitação geral validam esta intervenção. Os achados sugerem a necessidade de ajustes individuais para gerir o apetite e otimizar a experiência hospitalar.

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i1.7026
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Referências

1. O'Keeffe M, Kelly M, O'Herlihy E, O'Toole PW, Kearney PM, Timmons S, et al. Potentially modifiable determinants of malnutrition in older adults: A systematic review. Clin Nutr. 2019;38(6):2477-2498.

2. Atherton M, Bellis-Smith N, Cichero JAY, Suter M. Texture-modified foods and thickened fluids as used for individuals with dysphagia: Australian standardised labels and definitions. Nutr Diet. 2007.

3. Rapo S, Mattson Sydner Y, Kautto E, Hörnell A. Exploring patient satisfaction with hospital foodservice: A Swedish study using the Acute Care Hospital Foodservice Patient Satisfaction Questionnaire. Nutr Diet. 2021;78(5):487–495.

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