Estimulação Sonora como Modulador do Crescimento Bacteriano. Estudo exploratório em Escherichia coli
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Keywords

Ondas sonoras
Estimulação acústica
Escherichia coli
Crescimento bacteriano
Curva de crescimento

How to Cite

Neves, M., Amorim, M., Lamas, M. C., Mota, S., & Ferreira, S. (2026). Estimulação Sonora como Modulador do Crescimento Bacteriano. Estudo exploratório em Escherichia coli. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(3), 10. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7207

Abstract

Enquadramento: A resistência antimicrobiana é uma relevante ameaça à saúde pública, o que reforça a necessidade de obter um diagnóstico microbiológico precoce [1,2]. Apesar de tecnologias como a espectrometria de massa (MALDI-TOF) permitirem uma identificação rápida após crescimento em cultura, o tempo mínimo de incubação necessário (~18 horas) para obtenção de colónias viáveis continua a ser um fator limitante [3]. Assim, estratégias que acelerem o crescimento bacteriano, como ondas sonoras [4-7], poderão contribuir para antecipar etapas do diagnóstico, especialmente em laboratórios com recursos limitados. Objetivo: Avaliar o efeito de estímulo sonoro audível (600 Hz) numa estirpe Escherichia coli ATCC 8739.  Métodos: Foi realizado um estudo experimental com grupo controlo (sem estímulo sonoro) e grupo submetido a estímulo (600 Hz durante 1 hora). O estímulo foi aplicado nas fases de latência, exponencial e estacionária, previamente definidas por curva de crescimento. O crescimento bacteriano foi quantificado por contagem de unidades formadoras de colónias (UFC/mL) e analisado estatisticamente pelo teste de Mann-Whitney, com nível de significância de 0,05. Resultados: No grupo sujeito a potenciador do crescimento bacteriano – estímulo sonoro – observou-se um aumento estatisticamente significativo do crescimento bacteriano na fase exponencial (p = 0,014). Nas fases de latência e estacionária não se verificaram diferenças estatisticamente significativas. Conclusão:  A estimulação sonora estudada (600 Hz) demonstrou potenciar o crescimento de Escherichia coli na fase exponencial, sugerindo que o som pode atuar como modulador da proliferação bacteriana quando as células se encontram metabolicamente mais ativas. Esta abordagem poderá constituir uma estratégia complementar para otimização de protocolos culturais [3,7]. Estudos futuros, com diferentes estirpes clínicas e diferentes parâmetros acústicos serão fundamentais para confirmar o seu potencial translacional.

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7207
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