Efeito isolado e em mistura de fármacos psicotrópicos em Chlorella vulgaris
DOI:
https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7206Palavras-chave:
Ecotoxicidade, ácido valpróico, quetiapina, Chlorella vulgarisResumo
Enquadramento: A crescente contaminação do meio aquático por fármacos constitui um risco para organismos aquáticos e terrestres, pois muitos destes compostos persistem no ambiente após tratamento convencional de águas residuais [1,2]. O ácido valpróico (VAL) e a quetiapina (QTP) são psicofármacos amplamente utilizados no tratamento da epilepsia e da esquizofrenia, respetivamente, bem como em combinação no tratamento do transtorno bipolar.Muitos medicamentos antipsicóticos têm sido encontrados em águas superficiais devido ao aumento do seu consumo e às baixas taxas de remoção nos sistemas de tratamento [3,4]. A exposição de organismos aquáticos a psicofármacos tem sido associada a efeitos adversos, no entanto, os efeitos ecotoxicológicos do VAL e da QTP permanecem pouco estudados [5,6]. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo avaliar a fitotoxicidade do VAL e da QTP na microalga, Chlorella vulgaris, isoladamente e em mistura. Métodos: Neste estudo avaliou-se o efeito do VAL e da QTP isolados e em combinação (50/50). As microalgas foram expostas a 5 concentrações de cada composto, durante um período de 48h. A densidade celular foi quantificada a cada 24h, por leitura da densidade óptica. No final do ensaio determinou-se a taxa de crescimento e a percentagem de inibição. O ensaio foi realizado de acordo com a Norma OECD 201[7] . Resultados: O VAL e a QTP, isolados, inibiram o crescimento da microalga, sendo a redução da taxa de crescimento, mais pronunciada nas concentrações mais altas. O AV causou uma maior taxa de inibição às24h e a quetiapina às 48h do teste. Nos testes com as mistura, ocorreu também redução das taxas de crescimento. Conclusão: O ácido valpróico e a quetiapina inibem o crescimento de Chlorella vulgaris, tanto isoladamente como em combinação, com um efeito dose-dependente. Individualmente, os compostos exibem toxicidade em diferentes tempos de exposição.
Referências
1. Ortúzar M, Esterhuizen M, OlicónHernández DR, GonzálezLópez J, Aranda E. Pharmaceutical pollution in aquatic environments: A concise review of environmental impacts and bioremediation systems. Front Microbiol. 2022;13:869332
2. Patel M, Kumar R, Kishor K, Mlsna T, Pittman CU Jr, Mohan D. Pharmaceuticals of emerging concern in aquatic systems: Chemistry, occurrence, effects, and removal methods. Chem Rev.2019;119(6):351073.
3. Davey CJE, Hartelust AK, Helmus R, Praetorius A, van Wezel AP, ter Laak TL. Presence, removal, and risks of psychopharmaceuticals in wastewater streams. Environ Toxicol Chem. 2025;44(2):37585.
4. Cunha DL, Mendes MP, Marques M. Environmental risk assessment of psychoactive drugs in the aquatic environment. Environ Sci Pollut Res. 2019;26:7890
5. AstraZeneca. Quetiapine fumarate: Environmental risk assessmentdata. Version 2. 2023. Disponível em: https://www.astrazeneca.com/content/dam/az/PDF/Sustainability/era/Quetiapine-fumarate.pdf.
6. Savuca A, Chelaru IA, Balmus IM, Curpan AS, Nicoara MN, CiobicaAS. Toxicological response of zebrafish exposed to polymeric materials and valproic acid. Sustainability. 2024;16(5):2057.
7. OECD. 2011. Test No. 201: Freshwater Alga and Cyanobacteria, Growth Inhibition Test. OECD Guidelines for the Testing of Chemicals.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Beatriz Machado, Piedade Barros (Author)

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
