Abstract
Enquadramento: A qualidade das águas balneares é de elevada importância económica, ambiental e social. A sua qualidade constitui um determinante essencial da saúde pública, principalmente num contexto de alterações climáticas e pressão antropogénica [1,2]. Em Portugal, a qualidade das águas balneares é legalmente regulada, sendo a avaliação microbiológica baseada nos indicadores fecais Escherichia coli e Enterococcus spp [3-6]. A sua monitorização sistemática é fundamental para detetar precocemente situações de contaminação e prevenir surtos associados à exposição recreativa [7]. Objetivo: Avaliar a qualidade microbiológica das águas balneares costeiras e interiores numa área metropolitana de Portugal, durante 2024, com base nos indicadores de contaminação. Quantificar os níveis microbiológicos; analisar variação sazonal, e classificar o nível de qualidade. Métodos: Realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal, dos registos de dados laboratoriais microbiológicos obtidos num Laboratório de Saúde Pública. Procedeu-se a análise estatística descritiva e inferencial, utilizando os testes não paramétricos, e correlação entre E. coli e Enterococcus sp.. Resultados: As águas costeiras em estudo evidenciaram valores homogéneos ao longo do ano, com valores médios reduzidos e percentis compatíveis com classificação “Excelente”, com ligeiras elevações nos meses de verão, possivelmente associadas a maior afluência balnear. Sem impacto na classificação final. Em contraste, nas águas interiores, observou-se um padrão irregular, com picos marcados em fevereiro, junho e setembro – períodos coincidentes com precipitação elevada/atividades humanas intensificadas. Observou-se valores médios e percentis substancialmente superiores. Existem diferenças significativas entre águas costeiras e interiores, mas não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre época balnear e não balnear. Conclusão: As águas costeiras mantiveram qualidade microbiológica excelente ao longo do período analisado. As águas interiores apresentaram elevada variabilidade e episódios críticos de contaminação fecal, comprometendo a sua classificação legal. Os resultados sugerem a necessidade de estratégias de monitorização e intervenção específicas para águas interiores, visando proteger a saúde pública.
References
[1] Decreto-Lei n.º 135/2009, de 3 de junho. Diário da República, 1.ª série — N.º 107: 3362 3366. 2009.
[2] Akhtar N, Syakir Ishak MI, Bhawani SA, Umar K. Natural and anthropogenic factors responsible for water quality degradation: a review. Water. 2021;13(19):2660. doi:10.3390/w13192660
[3] Decreto-Lei n.º 58/2005, de 29 de dezembro, Lei da Água (atualizada 2023). Diário da República, 1.ª série — N.º 249. 2005. Disponível em: https://dre.pt/dre/detalhe/decreto-lei/58-2005-592778
[4] União Europeia. Directiva 2006/7/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de fevereiro de 2006, relativa à gestão da qualidade das águas balneares e que revoga a Directiva 76/160/CEE. Jornal Oficial da União Europeia. 2006 Mar 4 [citado 2025 Maio 29];L64:37 51.
[5] Mascarenhas AIL, Nascimento EC, Rodrigues EP, Silva BO, Moreno JS. Análise das condições microbiológicas da água do município de Muritiba – Bahia. Holos. 2021;37(2):e10380.
[6] Vantarakis AC, Tsibouxi A, Venieri D, Komninou G, Athanassiadou A, Papapetropoulou M. Bacterial community analysis of recreational beach waters reveals human fecal contamination and pathogenicity across varying field conditions. Water Res. 2025; 281:123697.
[7] World Health Organization. Guidelines on recreational water quality: Volume 1 – coastal and fresh waters. Geneva: World Health Organization; 2021. ISBN 978-92-4-003130-2.

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