TRADUZIR METÁFORA NÃO É MAMÃO COM AÇÚCAR

A BUSCA POR EQUIVALENTES DE BOTANOMORFISMOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34630/polissema.vi21.4250

Palavras-chave:

Tradução funcional, botanomorfismo, formação de tradutor, linguística de corpus, convencionalidade

Resumo

Motivada por questões culturais, históricas, etimológicas etc., a linguagem figurada perde a associação com seus referentes originais e ganha novo sentido conforme o contexto. Mais do que uma estratégia restrita à literatura e à publicidade, a idiomaticidade é determinante para a comunicação eficiente, e permeia todos os gêneros textuais. Por fazerem associações distintas, diferentes línguas e culturas raramente compartilham metáforas similares. O objetivo deste artigo é descrever uma tarefa aplicada a tradutores em formação para a busca de equivalentes funcionais em língua inglesa de metáforas de frutas em português brasileiro. Apesar de os botanomorfismos serem recorrentes nas duas línguas, interlinguisticamente, a relação entre a fruta e seu referente raramente se dá da mesma forma. Utilizando como exemplo a metáfora (ser um) laranja, descrevemos de que forma os tradutores em formação buscaram equivalentes em inglês que recuperassem a idiomaticidade da palavra. Para tanto, consultaram obras de referência, traduções de artigos jornalísticos e corpora de língua geral. A atividade não só possibilitou a identificação de equivalentes tradutórios convencionais da metáfora que exemplificou a tarefa, mas principalmente serviu para indicar aos aprendizes caminhos que levam à autonomia e às escolhas conscientes, imprescindíveis na profissão.

Biografia Autor

Rozane Rebechi, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutora (2015) e Mestre (2010) em Estudos Linguísticos e Literários pela Universidade de São Paulo (USP). Possui especialização lato sensu em Tradução (2007) pela mesma instituição. É graduada em Letras-Tradutor e Intérprete pela Faculdade Ibero-Americana de Letras e Ciências Humanas (1991). Tem experiência na área de ensino de língua inglesa e tradução e atua principalmente nos seguintes temas: Linguística de Corpus, Tradução, Terminologia e Ensino de Inglês como Língua Estrangeira. Desde 2016, é professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É membro do Conselho do EM TTI (European Masters in Technology for Translation and Interpreting) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Tradução (ABRAPT). (Fonte: Currículo Lattes)

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Publicado

2021-12:-31

Como Citar

Rebechi, R., & Trindade, E. (2021). TRADUZIR METÁFORA NÃO É MAMÃO COM AÇÚCAR: A BUSCA POR EQUIVALENTES DE BOTANOMORFISMOS. POLISSEMA – Revista De Letras Do ISCAP, (21), 110–132. https://doi.org/10.34630/polissema.vi21.4250

Edição

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Artigos