Perfil Bacteriológico das Infeções do Sistema Nervoso Central na ULSSJ
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Keywords

Infeções no sistema nervoso central; Agentes patogénicos; Líquido cefalorraquidiano; Epidemiologia; Resistência bacteriana.

How to Cite

Sousa, H., Sobral, P., Amorim, M., Lamas, M. C., Mota, S., & Ferreira, S. (2026). Perfil Bacteriológico das Infeções do Sistema Nervoso Central na ULSSJ. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(3), 24,25. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7171

Abstract

Enquadramento: As infeções do sistema nervoso central (SNC) representam das emergências infeciosas mais graves, associadas a elevada morbilidade e mortalidade, exigindo um diagnóstico e tratamento imediatos para prevenir sequelas neurológicas irreversíveis e/ou fatais [1,2]. Apesar da introdução de programas de vacinação, a meningite bacteriana continua a ter um impacto relevante na saúde pública [3,4,5] pela sua gravidade e pela diversidade de agentes etiológicos envolvidos [1]. O estudo microbiológico do líquido cefalorraquidiano (LCR) assume, assim, um papel fundamental no diagnóstico diferencial e na orientação terapêutica [2,6]. A presença de microrganismos multirresistentes evidencia a necessidade de reforçar medidas de prevenção, promover o uso racional de antibióticos e manter vigilância epidemiológica contínua [7,8].  Objetivos: Caracterizar o perfil bacteriológico das infeções do SNC diagnosticadas na ULSSJ, em 2024, identificando os principais agentes etiológicos e variáveis sociodemográficas associadas. Métodos: Estudo observacional descritivo, baseado na análise de dados laboratoriais recolhidos do sistema Clinidata® e analisados em SPSS v29.0 através de estatística descritiva.  Resultados: Foram identificados 60 isolados, correspondentes a 28 espécies bacterianas. Verificou-se predomínio do sexo masculino (63,3%) e idade média de 45,7±29,1 anos, com maior frequência nos recém-nascidos e idosos. Observou-se elevada diversidade microbiológica, predominando as seguintes estirpes bacterianas: Staphylococcus coagulase negativo: Staphylococcus epidermidis (20,0%) e Staphylococcus hominis (16,7%). Dos microrganismos clássicos, destacam-se Streptococcus pneumoniae (8,3%) e Escherichia coli (6,7%), tendo sido ainda identificados bacilos Gram-negativo oportunistas, incluindo Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa, associados a contextos hospitalares. Conclusão: As infeções do SNC apresentam elevada diversidade microbiológica, envolvendo patogénicos clássicos e oportunistas, e que a resistência antimicrobiana representa um desafio emergente. As crianças e os idosos mantêm-se como grupos de maior risco. O estudo reforça a importância da vigilância laboratorial e da implementação de estratégias de prevenção e controlo para garantir uma resposta clínica eficiente.

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7171
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