Uma abordagem integrativa da informação a partir da filosofia peirceana

Autores

Palavras-chave:

Teoria da Informação, Teoria Integrativa da Informação, Semiótica, Filosofia Peirceana

Resumo

A Ciência da Informação tem sido marcada por diferentes abordagens teóricas, muitas vezes fragmentadas, que tentam dar conta da complexidade do fenômeno informacional. Em contraposição à busca por uma teoria unificada da informação proposta por autores como  Hofkirchner (2008), Marijuán (2008), Lara (2008), Gejman (2008) e Marcos (2008), que fornece caracterizações teóricas que abarque tomadas de decisões, preencha limites disciplinares e aprofunde a conceituação de informação a partir de determinados padrões, esta pesquisa propôs a construção de uma teoria integrativa da informação, isto é, uma abordagem integrativa para explicação e organização dos conceitos de informação, fundamentada na filosofia de Charles Sanders Peirce. O problema central que orientou a  pesquisa foi a necessidade de um modelo teórico que permita compreender a informação para além de um conceito estático ou reducionista, compreendendo a informação como um processo dinâmico e polissêmico. Em muitos dos debates contemporâneos, a informação tem sido tratada de forma simplificada, como um conjunto de dados isolados, uma mercadoria ou um conteúdo desprovido de significação. Tal visão, além de ser limitada, incorre em equívocos ao ignorar as complexas interações e interdependências que constituem os sistemas informacionais e os processos cognitivos e comunicacionais que lhes dão sentido. A informação, portanto, não é uma mera soma de elementos, mas emerge da interação entre diferentes componentes que formam um sistema complexo de significação, interpretação e construção do conhecimento. Essa complexidade intrínseca impõe a necessidade de ir além dos modelos tradicionais e propor uma abordagem que contemple a informação em sua essência dinâmica, evitando confundir a a dinamicidade com mera versatilidade ou ambiguidade conceitual. Essa perspectiva enfatiza que a informação deve ser entendida como um fenômeno processual que ocorre na inter-relação entre signos, objetos e interpretantes, e que se desenvolve no tempo através da experiência e da interpretação constante. Desse modo, a informação, em seu sentido mais amplo, exige um modelo que seja simultaneamente processual e ancorado no realismo, capaz de captar a fluidez dos processos informacionais sem perder a base na objetividade do conhecimento.

Biografia do Autor

Carlos Candido de Almeida, UNESP

Docente do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista - UNESP, campus de Marília, com atuação nos cursos de Arquivologia, Biblioteconomia, Mestrado e Doutorado em Ciência da Informação. Professor visitante na Universidad Carlos III de Madrid (Espanha, 2021) e Universidad Nacional de Misiones (Argentina, 2012). Pós-Doutor em Biblioteconomia e Documentação pela Universidad de Zaragoza, Espanha. Doutor em Ciência da Informação pela UNESP, mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Biblioteconomia pela Universidade Estadual de Londrina. Tem interesse nas áreas: Epistemologia, Ciência da Informação, Semiótica, Comunicação, Organização da Informação, Organização do Conhecimento e Mediação

Publicado

2025-11-10

Edição

Seção

Artigos