‘To be or not to be…in/visible’: Oportunidades e constrangimentos interculturais na tradução da obra de Mia Couto
DOI:
https://doi.org/10.34630/e-rei.vi14.7428Palavras-chave:
Estrangeirização ou domesticação na tradução, visibilidade ou invisibilidade do tradutor, hegemonia ou alteridade, criatividade e subversão.Resumo
O trabalho de manipulação linguística realizado por Mia Couto, em que ele cria um discurso ‘novo’, baseando-se fundamentalmente na norma do português europeu, mas deixando, como num palimpsesto, transparecer os ritmos e as características do português de Moçambique, e da cultura moçambicana, necessariamente coloca desafios ao tradutor relacionados com a transposição dessa criatividade para uma língua cujo funcionamento morfológico, sintático, fonológico, semântico, etc., é bastante diferente do funcionamento da língua portuguesa, como é o caso do Inglês (língua não românica). A língua literária coutiana constitui-se como um “terceiro código” (Zabus, 2007), e é precisamente esta língua mestiça que será objeto de tradução, exigindo uma abordagem criativa a esse processo. O objetivo principal do estudo foi analisar a forma como o tradutor das obras de Mia Couto se posicionou face aos constrangimentos e desafios que essa tarefa implicou. O corpus de análise é constituído pelos romances de Mia Couto, A Varanda do Frangipani (1996) e O Último Voo do Flamingo (2000), e, respetivamente, as suas traduções para inglês, Under the Frangipani (2001) e The Last Flight of the Flamingo (2004), da autoria de David Brookshaw.
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