Abstract
Enquadramento: A leptospirose é uma infeção zoonótica causada por espiroquetas do género Leptospira. Estas bactérias colonizam os túbulos renais de diversos animais e são excretadas na urina, contaminando o solo e a água [1]. A transmissão ao ser humano ocorre acidentalmente através de feridas cutâneas ou contacto das mucosas com ambientes contaminados, causando sintomas inespecíficos. O que contribui para o subdiagnóstico da doença, e reforça a relevância da realização de estudos epidemiológicos [2]. A frequência da doença varia segundo fatores de risco, tornando pertinentes os estudos epidemiológicos em regiões consideradas de maior vulnerabilidade [3]. Objetivo: Sistematizar informação disponível sobre a epidemiologia mundial da leptospirose; Correlacionar fatores de risco identificados com as caraterísticas epidemiológicas da Região Autónoma dos Açores (RAA) e contribuir na divulgação de medidas de prevenção nesta região. Métodos: Revisão sistemática da literatura desenvolvida segundo o conceito PICO, as guidelines da PRISMA e critérios de inclusão/exclusão. Foram analisados dados relativos a características geodemográficas, sociais, fatores de risco ambientais e ocupacionais, e espécies identificadas. Resultados: Foram analisados 31 artigos. Pela análise dos dados, a epidemiologia da RAA é semelhante à observada noutras regiões endémicas a nível mundial. O grupo mais afetado são os agricultores do sexo masculino, com idades entre 25-64 anos, devido à exposição a roedores ou contacto com água, fezes ou solo contaminados. A espécie mais prevalente, Leptospira icterohemorrhageae, está associada a formas graves de leptospirose [4]. O clima subtropical da região facilita a sua sobrevivência e persistência ambiental. Conclusão: A leptospirose mantém-se um problema relevante de saúde pública na RAA, evidenciando padrões epidemiológicos semelhantes aos descritos internacionalmente [5]. Como a epidemiologia desta Região se equipara a outras regiões endémicas, devem ser implementadas estratégias preventivas já descritas, como higienização pessoal, controlo de roedores, vacinação animal e sensibilização da população, para reduzir a incidência da doença [6].
References
[1] Goarant C. Leptospirosis: risk factors and management challenges in developing countries. Res Rep Trop Med. 2016 Sep;Volume 7:49–62. doi:10.2147/rrtm.s102543 PubMed PMID: 30050339.
[2] Rajapakse S. Leptospirosis: Clinical aspects. Clinical Medicine, Journal of the Royal College of Physicians of London. Royal College of Physicians; 2022. p. 14–7. doi:10.7861/clinmed.2021-0784 PubMed PMID: 35078790.
[3] Baharom M, Ahmad N, Hod R, Ja’afar MH, Arsad FS, Tangang F, et al. Environmental and Occupational Factors Associated with Leptospirosis: A Systematic Review. Heliyon. 2024 Jan 15;10(1). doi:10.1016/j.heliyon.2023.e23473
[4] Gonçalves AT, Paiva C, Melo-Mota F, Vieira ML, Carreira T, Nunes MS, et al. First isolation of human Leptospira strains, Azores, Portugal. International Journal of Infectious Diseases. 2010 Sep;14(SUPPL. 3). doi: 10.1016/j.ijid.2009.12.004 PubMed PMID: 20413339.
[5] Vieira ML, Gama-Simões MJ, Collares-Pereira M. Human leptospirosis in Portugal: a retrospective study of eighteen years. International Journal of Infectious Diseases. 2006 Sep;10(5):378–86. doi:10.1016/j.ijid.2005.07.006 PubMed PMID: 16600656.
[6] Kamath R, Swain S, Pattanshetty S, Nair NS. Studying risk factors associated with human leptospirosis. J Glob Infect Dis. 2014;6(1):3–9. doi:10.4103/0974-777X.127941

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Mário Raposo
