DIFERENÇAS METODOLÓGICAS NA AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM E O USO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NOS CENTROS DE HUMANIDADES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ.
Palavras-chave:
Biblioteca Universitária, Metodologias Ativas, Ensino e aprendizagemResumo
Este estudo analisa as práticas avaliativas no ensino superior com foco na integração das bibliotecas universitárias (BU) como espaços ativos de apoio pedagógico. Desenvolvido nos Centros de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), o trabalho parte da premissa de que as bibliotecas não apenas armazenam informações, mas também contribuem significativamente para a formação acadêmica, por meio da mediação do conhecimento, da promoção da autonomia estudantil e do desenvolvimento de competências informacionais.
ObjetivoCompreender como a Biblioteca Universitária tem sido incorporada às práticas avaliativas dos docentes nos Centros de Humanidades (CH1, CH2 e CH3) da UFC, com base em suas formações acadêmicas, principalmente as mais recentes na área da educação, e sua relação com metodologias ativas de ensino-aprendizagem.
Fundamentos TeóricosA pesquisa se ancora em autores como Luckesi, Guerra, Hoffman, e Vasconcellos para discutir as transformações na concepção de avaliação. A tradicional prática classificatória está sendo substituída por modelos formativos e diagnósticos, mais inclusivos e reflexivos. A avaliação deixa de ser apenas controle de desempenho para se tornar um processo dialógico e pedagógico.
As metodologias ativas, como a avaliação diagnóstica e formativa, são discutidas como mecanismos que colocam o estudante no centro do processo, com ênfase na autonomia e na construção do conhecimento. A avaliação formativa, por exemplo, é composta por três etapas: informação, feedback e regulação, e busca continuamente adaptar o ensino às necessidades dos discentes.
A Biblioteca Universitária como Espaço EducativoA BU é apresentada como um ambiente essencial de aprendizagem ativa, que colabora com o processo educativo ao proporcionar acesso à informação qualificada, formação de competências e desenvolvimento da autonomia. Autores como Santos & Valentim (2020) e Caetano et al. (2021) reforçam sua função pedagógica, destacando que a biblioteca universitária deve ser um agente mediador do conhecimento, alinhada às práticas inovadoras do ensino superior.
Formação Docente e Metodologias AtivasA teoria destaca a importância da formação docente na adoção de metodologias ativas. Professores com formação recente ou continuada na área de educação tendem a adotar abordagens mais críticas, reflexivas e participativas. A experiência formativa influencia diretamente as práticas avaliativas e o uso de espaços como a BU.
MetodologiaA pesquisa é descritiva, com abordagem quali-quantitativa, realizada entre 2023 e 2025. A amostra foi composta por 50 docentes dos Centros de Humanidades com licenciatura ou última formação em educação nos últimos cinco anos. Foi aplicado um formulário com quatro questões sobre o uso da BU no ensino-aprendizagem, recebendo 20 respostas válidas.
Resultados-
Competências desenvolvidas pela BU:
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Autonomia na pesquisa, leitura e escrita acadêmica, busca de informação e seleção crítica de conteúdos foram as competências mais citadas.
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A BU é percebida como espaço de construção do conhecimento e estímulo à investigação.
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Relevância dos recursos da BU:
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A maioria dos docentes considera a BU relevante ou muito relevante para o processo de ensino-aprendizagem.
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CH1 apresentou a maior valorização da BU, possivelmente devido à maior formação pedagógica dos docentes.
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Avaliação de aspectos da BU (recursos, materiais, formas de avaliação):
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“Atualização de conteúdo” foi o item mais bem avaliado no CH1.
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No CH2, houve maior dispersão de respostas e avaliações mais críticas quanto aos materiais e formas de avaliação.
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Formas de uso da BU em sala de aula:
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A pesquisa é a principal atividade realizada com apoio da BU, seguida por atividades individuais, em equipe e planejamento de ensino.
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Apenas um docente afirmou não usar a BU em sua prática.
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A análise revelou que docentes com maior formação pedagógica demonstram maior reconhecimento e uso da BU. A biblioteca é vista como um espaço de aprendizagem mediada, coerente com as exigências das metodologias ativas. Os resultados também mostram a BU como um recurso estratégico na avaliação formativa e na promoção da autonomia discente.
A pesquisa sugere que a integração entre bibliotecários e professores pode fortalecer o uso pedagógico da BU, ampliando seu papel nas instituições de ensino superior. Além disso, os dados reforçam a necessidade de políticas institucionais que valorizem a biblioteca como parceira no planejamento e execução de práticas pedagógicas inovadoras.
Considerações FinaisA Biblioteca Universitária, quando integrada às práticas pedagógicas, contribui de maneira significativa para o desenvolvimento de competências informacionais e formativas dos discentes. O reconhecimento da BU como espaço de aprendizagem está diretamente relacionado à formação e ao perfil pedagógico dos docentes.
O estudo indica a necessidade de ampliar o diálogo entre bibliotecários e professores e investir em políticas institucionais que consolidem a presença ativa da BU no planejamento didático e na avaliação educacional. Tal integração contribui para a promoção de uma educação superior crítica, autônoma e transformadora.
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