A MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E A FORMAÇÃO ACADÊMICA
AÇÕES DE PESQUISA E EXTENSÃO
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6644Palavras-chave:
Mediação da Informação, Formação acadêmica, Ações de pesquisa, Ação Extensionista, Biblioteconomia, ArquivologiaResumo
Compreendemos que a mediação da informação é um fundamento basilar para as práticas arquivísticas e bibliotecárias que consideram não somente a informação como seu objeto de trabalho, mas também a relação com os sujeitos informacionais para a sua apropriação. Nesse sentido, a mediação da informação é percebida como as ações de interferências realizadas pelos profissionais da informação visando a apropriação dos conteúdos informacionais a fim de atender uma necessidade ou mesmo gerar novas inquietações (Almeida Júnior, 2015).
De tal modo, temos questionado por meio do projeto de pesquisa “A mediação da informação e a formação acadêmica de arquivistas e bibliotecários: saberes informacionais necessários ao perfil do mediador” se os princípios e fundamentos da mediação se fazem presentes durante a formação desses profissionais da informação, que já vivenciam a ação mediadora de forma consciente ou não em seu labor.
A partir de 2021, temos buscado entender de que forma a mediação da informação tem sido contemplada na formação acadêmica de arquivistas e bibliotecários. Tendo em vista que:
As universidades públicas brasileiras têm importante papel no que tange ao desenvolvimento social, político e tecnológico do país. Através do conhecimento por elas construído, essas instituições elaboram e reelaboram ações para a sociedade. É através da mediação da informação que o conhecimento pode ser mediado dentro e fora das universidades, entre seu público especializado e para a sociedade (Garcia, Almeida Júnior & Valentim, 2011, p. 252).
A primeira fase da pesquisa focou em compreender o perfil do mediador, e a partir da literatura da Ciência da Informação, observou-se que são apontados conhecimentos, habilidades e atitudes associados à relação com a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), diálogo e interação com o usuário, responsabilidade social e atuação ética, desenvolvimento de ações educacionais e educação intercultural, apropriação da informação, protagonismo e pensamento crítico-reflexivo. Logo, o perfil delineado encontra coerência com o conceito e as dimensões da mediação da informação. Concluiu-se que o perfil do mediador da informação reflete o contexto histórico-social ao qual está inserido, logo é dinâmico e está em constante transformação. Ele caminha, cada vez mais, para um perfil humanista, crítico e dialógico que se volta também para o sujeito informacional e não apenas para o trato da informação e a estética dos ambientes informacionais (Brandão et al., no prelo).
Já na segunda fase da pesquisa, buscamos identificar as disciplinas relacionadas à mediação da informação nos cursos de Arquivologia e Biblioteconomia das universidades públicas brasileiras. Com os primeiros resultados, observamos que a mediação da informação ainda é tratada de forma incipiente: ao analisar 16 currículos no curso de Arquivologia e 31 currículos no curso de Biblioteconomia, identificou-se 24 disciplinas que tratam diretamente sobre o tema, sendo duas em Arquivologia e 22 em Biblioteconomia (Brandão et al., 2024).
Para corroborar essa constatação, Moraes (2019) concluiu em sua pesquisa que a mediação da informação ainda não se apresenta como norteador da formação em Ciência da Informação em países como o Brasil e a Colômbia. A autora compreende que embora o conceito:
[...] possua potencial estratégico para criar modos alternativos de construção curricular, de atuação dos profissionais da informação, ainda se encontra pouco presente nos currículos analisados. Na ausência, ou na pouca clareza do conceito de mediação, o diálogo entre as áreas da informação no campo do currículo e mesmo nas práticas profissionais, numa perspectiva inter ou transdisciplinar, encontra dificuldades para se constituir evidenciando aspectos de sociedade e de ciência percebida pela Ciência da Informação. Além disso, embora os ventos teóricos e de práticas profissionais (na Colômbia) apontem para que a mediação seja o objeto da Ciência da Informação, este fato ainda não se consolidou nos currículos de formação dos profissionais mediadores de informação e de culturas (Moraes, 2019, p. 86).
Por outro lado, consideramos que o currículo é um documento que reflete a prática do tempo em que foi produzido, portanto, há a possibilidade de que outras atividades sobre o tema como aquelas voltadas à pesquisa e extensão possam ser realizadas durante a formação acadêmica. Dessa forma, este trabalho é resultado da terceira fase da pesquisa e buscou investigar ações de pesquisa e extensão realizadas pelos cursos de Arquivologia e Biblioteconomia brasileiros para promover a mediação da informação.
Quanto à estrutura, ele encontra-se organizado em cinco seções, incluindo esta introdução. Na segunda seção discutimos o conceito de mediação de forma conectada à pesquisa e à extensão. Já na terceira, apresentamos os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa. Tratamos sobre os resultados de forma parcial na quarta seção. Por fim, nos debruçamos sobre as conclusões e as reflexões decorrentes deste estudo.
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