Pós-Fotografia e Inteligência Artificial: Novos Paradigmas da Imagem Documental
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6731Palavras-chave:
Inteligência Artificial, fotografia, geração de imagem, imagem digital, Ciência da Informação, pós-fotografiaResumo
Este estudo debruça-se sobre a profunda transformação epistemológica e praxiológica no campo da fotografia, catalisada pela ascensão da Inteligência Artificial (IA) generativa. A investigação parte da premissa de que a fotografia, historicamente consolidada em seu estatuto de registro fidedigno e pilar para a construção da memória e da historiografia, enfrenta uma ruptura paradigmática sem precedentes. O advento das novas tecnologias e modelos computacionais, as Redes Gerativas Adversárias (GANs), inaugura a era da "pós-fotografia". Este novo paradigma é caracterizado pela capacidade de produzir imagens de um hiper-realismo notável, geradas a partir de comandos textuais, sendo, portanto, desprovidas de qualquer mediação ótica ou vínculo indicial com um referente no mundo físico. A imagem deixa de ser um reflexo do real para tornar-se um dispositivo de persuasão imagética, capaz de instaurar narrativas verossímeis independentemente de sua procedência. O objetivo central do trabalho é, portanto, analisar criticamente estes impactos, discutindo como a IA reconfigura os conceitos de registro visual e informação fotográfica e fomentando uma reflexão aprofundada sobre as responsabilidades éticas e epistemológicas dos profissionais da informação. A metodologia adotada, de natureza exploratória, articula uma análise teórica com uma fase experimental. O eixo teórico compreende um levantamento bibliográfico que abrange a teoria da fotografia, a cultura digital e a IA, fundamentando a análise dos paradigmas documentais e dos desafios impostos pela pós-fotografia. O eixo prático consistiu na utilização das ferramentas de IA e Sora para a geração de imagens sintéticas, tendo como corpus de referência fotografias históricas do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS). A análise comparativa, focada em critérios de verossimilhança, composição e fidelidade estética, visou investigar a capacidade da IA de simular documentos visuais e, por conseguinte, subverter a percepção de autenticidade. Os resultados experimentais demonstraram a notável maturidade dessas tecnologias, que não apenas replicaram as fotografias históricas com alta precisão, mas também emularam com verossimilhança as nuances estilísticas de diferentes épocas. Assim, o estudo contribui para consolidar uma agenda de pesquisa crítica e interdisciplinar sobre a imagem sintética no campo da Ciência da Informação, reivindicando uma atuação propositiva das instituições diante de um fenômeno que transforma não apenas a fotografia, mas o próprio regime de visualidade contemporâneo.
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