Formação e Empregabilidade

o bibliotecário e os desafios da transformação digital

Autores

  • Sr.
  • Angélica Cintra Fermann

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6698

Palavras-chave:

Transformação Digital, Bibliotecário, Empregabilidade, Formação Profissional, Era Digital, Ciência da Informação

Resumo

Este artigo investiga os impactos da transformação digital sobre o futuro do trabalho do bibliotecário, compreendido como profissional da informação em um cenário marcado por incertezas, fluidez tecnológica e redefinições nas práticas organizacionais. A pesquisa parte da hipótese de que há um descompasso entre a formação acadêmica tradicional e as exigências técnicas e comportamentais de um mercado de trabalho cada vez mais orientado pela economia digital. O objetivo central é compreender como a transformação digital impactará o trabalho do bibliotecário na próxima década, considerando três eixos de análise: instituições formadoras, empresas de recrutamento e organizações nativas digitais.

A fundamentação teórica mobiliza autores da Ciência da Informação, da Sociologia do Trabalho e da Gestão da Informação, propondo uma leitura ampliada do habitus profissional (Bourdieu) frente às novas demandas sociotécnicas. O estudo adota o método quadripolar, que articula os polos epistemológico, teórico, técnico e morfológico, permitindo uma abordagem qualitativa, não linear e integrada. A técnica Delphi foi utilizada para coleta de dados, com 110 participantes distribuídos em três grupos: formadores, recrutadores e contratantes.

Os resultados revelam um desalinhamento entre a formação ofertada e as competências demandadas por empresas digitais. Enquanto os formadores mantêm um foco mais tradicional e acadêmico, os recrutadores e contratantes apontam para a necessidade de habilidades como fluência digital, ciência de dados, inteligência artificial, marketing digital, metodologias ágeis e gestão estratégica da informação. No plano das competências comportamentais, destacam-se: flexibilidade, visão estratégica, mediação multidisciplinar e antecipação de oportunidades e riscos.

A pesquisa também evidenciou o debate sobre a nomenclatura profissional, sugerindo que o termo “bibliotecário” pode ser revisto ou ampliado para designações como “cientista da informação” ou “bibliotecário digital” ou  “cientista da informação em documentação e dados”, embora se defenda sua preservação desde que associada a formações específicas e contextualizadas. Além disso, identificou-se uma demanda crescente por currículos mais flexíveis, orientados à solução de problemas e estruturados com trilhas formativas que articulem conteúdos obrigatórios e complementares.

Conclui-se que a transformação digital desafia profundamente as bases da formação e atuação profissional em Biblioteconomia, exigindo um reposicionamento estratégico do bibliotecário como agente de mediação, inovação e inteligência informacional. A formação universitária, nesse contexto, deve ser compreendida como ponto de partida de um processo contínuo, que articule competências técnicas, sociocomportamentais e reflexivas em sinergia com os desafios de uma sociedade digital. Os achados deste estudo contribuem para a formulação de políticas públicas e institucionais mais coerentes com os futuros possíveis da Ciência da Informação, abrindo espaço para debates que envolvem regulação profissional, atualização curricular e protagonismo na era digital.

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Publicado

2026-01-13

Edição

Seção

Artigos