COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E DIGITAL DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19

estudo de uma universidade brasileira

Autores

  • Rita de Cássia Silva dos Santos
  • Tamara De Souza Brandão Guaraldo
  • Glória Bastos

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6669

Palavras-chave:

Competência em Informação, Literacia Digital, Gestão da Informação, Ensino Superior, Pandemia COVID-19

Resumo

A pandemia de COVID-19 impôs desafios inéditos às instituições de ensino superior, exigindo adaptações emergenciais nos processos de ensino, aprendizagem e gestão. Este estudo investiga como gestores da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) perceberam e responderam aos impactos da transição abrupta para o ensino remoto, com foco nas competências em informação e competências digitais dos utilizadores institucionais. A pesquisa adota abordagem mista, com aplicação de questionários estruturados e da técnica de incidentes críticos (CIT), e estrutura-se a partir de três domínios analíticos: Pessoas, Processos e Tecnologias.

O referencial teórico baseia-se nos padrões de competência em informação propostos por Belluzzo (2007) e no modelo DigComp 2.2 (Vuorikari, Kluzer e Punie, 2022) para competências digitais, articulando-se à literatura sobre gestão da informação (Choo, 2003; Davenport & Prusak, 1998). A coleta de dados ocorreu entre 2023 e 2025, com três gestores responsáveis pelos sistemas informacionais da FAAC. Os resultados revelam lacunas significativas nas competências dos discentes, especialmente quanto à avaliação crítica da informação e uso estratégico das tecnologias. Docentes demonstraram maior domínio das ferramentas digitais, mas apresentaram fragilidades em segurança da informação. Técnicos-administrativos oscilaram entre práticas operacionais básicas e dificuldades de adaptação digital.

Os gestores relataram domínio robusto das competências informacionais e digitais, com destaque para a capacidade de resolução de problemas e mediação de conflitos técnicos. A análise dos incidentes críticos revelou que a falta de políticas institucionais consolidadas de formação continuada e de padronização no uso das plataformas dificultou a resposta eficaz da universidade ao cenário pandémico. A sobrecarga informacional, a ausência de infraestrutura adequada para parte dos utilizadores e a resistência institucional à inovação foram apontadas como entraves adicionais.

A pesquisa identifica a necessidade urgente de políticas estruturadas de formação em competências digitais e informacionais, voltadas a todos os públicos institucionais, com atenção especial a estudantes e técnicos. Recomenda-se à UNESP o desenvolvimento de uma política de gestão da informação centrada no utilizador, com base na escuta ativa, capacitação permanente e articulação concreta entre pessoas, processos e tecnologias. Conclui-se que a competência digital e informacional deve ser tratada como eixo estratégico da governança universitária, especialmente em contextos de crise, e que os gestores da informação exercem papel central na resiliência organizacional e na promoção de uma cultura digital crítica, ética e sustentável.

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Publicado

2026-01-13

Edição

Seção

Artigos