A FORMAÇÃO DO PESQUISADOR BRASILEIRO:
UM OLHAR PARA A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6634Palavras-chave:
formação de pesquisadores, Ciência da Informação, Educação ciêntificaResumo
O artigo aborda a formação do pesquisador no Brasil, com ênfase na área da Ciência da Informação (CI), contextualizando o tema a partir da análise dos investimentos realizados pelo CNPq entre 2015 e 2024. Nesse período, mais da metade dos recursos (50,79%) foi destinada à formação de pesquisadores, evidenciando sua centralidade nas políticas nacionais de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). O estudo busca compreender como essa formação se estrutura na CI, por meio de uma Revisão Sistemática Integrativa da Literatura (RSIL) em bases como BDTD, BRAPCI e Oasisbr.
A pesquisa identifica quatro questões norteadoras: o que é formação de pesquisadores, como ocorre na área, em que níveis de ensino se desenvolve e quem são os responsáveis por promovê-la. Foram selecionados sete trabalhos com alinhamento direto ao tema, que serviram de base para a análise qualitativa.
No referencial teórico, a formação do pesquisador é caracterizada como um processo não linear, atravessado por fatores sociais, institucionais e individuais. Embora o ideal seja que essa formação se inicie na educação básica, no Brasil ela tende a se consolidar apenas no ensino superior e na pós-graduação, devido a desigualdades estruturais. Fialho (2004, 2009) destaca a importância da biblioteca escolar e da competência informacional como elementos-chave nesse processo. Siqueira (2023) amplia essa visão ao posicionar o bibliotecário como mediador da informação e agente formador. Assunção e Mattos (2019) chamam atenção para o papel do professor na educação básica, ao passo que Costa (2013) mostra a relevância da iniciação científica (IC) na trajetória de pesquisadores. Já Araújo e Valentim (2019) e Matos (2017) ressaltam a importância da pós-graduação e da atuação de orientadores e associações científicas para a consolidação da massa crítica da CI.
Os resultados da RSIL indicam que a formação de pesquisadores é um processo contínuo, que envolve o desenvolvimento de competências informacionais, investigativas e críticas. Ela deve começar na educação básica, com o apoio de professores, bibliotecários e famílias, e se consolidar no ensino superior, especialmente por meio da IC e da pós-graduação. Destaca-se a importância do letramento informacional, que deve ser tratado com a mesma seriedade da alfabetização, como condição para o uso crítico da informação.
Na área da Ciência da Informação, a formação do pesquisador abrange múltiplas dimensões: mediação informacional, uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), desenvolvimento de pensamento crítico e construção coletiva do conhecimento. A atuação do bibliotecário vai além do suporte técnico e se insere como prática pedagógica. Projetos que integram tecnologia e produção científica, como o uso do sistema PKP-OCS ou de podcasts, revelam novas possibilidades formativas.
A genealogia investigativa, proposta por Matos (2017), é discutida como ferramenta para entender a evolução temática e institucional da pesquisa na CI, destacando como a trajetória dos orientadores influencia seus orientandos. Essa análise reforça a necessidade de ampliar a diversidade regional e promover maior internacionalização da área, uma vez que a produção científica ainda se concentra em poucos centros do Sudeste.
O estudo também detalha os níveis de ensino envolvidos na formação do pesquisador. A educação básica é apontada como etapa formativa essencial, mas pouco valorizada. A IC, na graduação, é identificada como um marco inicial estruturante que prepara o estudante para a pós-graduação, onde a formação do pesquisador se consolida. Costa (2013) mostra que bolsistas de IC tendem a seguir mais fortemente na carreira científica e concluem seus estudos com mais eficácia.
Quanto aos atores responsáveis por essa formação, o artigo destaca três categorias principais: professores e bibliotecários, a família e as associações científicas. A atuação colaborativa entre professores e bibliotecários escolares é vista como fundamental para desenvolver habilidades investigativas desde cedo, embora ainda enfrentem entraves estruturais e pedagógicos. Fialho (2004, 2009) aponta a falta de comunicação entre esses profissionais como uma das principais barreiras.
A família, por sua vez, exerce papel estruturante na formação do pesquisador, influenciando hábitos, valores e atitudes diante da informação. No entanto, diferenças socioeconômicas geram desigualdades no acesso a recursos informacionais e no apoio oferecido às crianças. A ausência de diálogo e envolvimento nos processos de pesquisa compromete o desenvolvimento da autonomia investigativa.
As associações científicas, como ANCIB e ABECIN, também são apontadas como agentes estratégicos. Elas promovem redes colaborativas, visibilidade científica, eventos e linhas temáticas de pesquisa, consolidando a identidade acadêmica e formativa da área. O papel dessas entidades é decisivo para a formação de uma cultura científica e investigativa sólida e plural.
Nas considerações finais, os autores defendem uma concepção ampliada de formação do pesquisador na Ciência da Informação, que não se limita ao domínio técnico, mas abarca o desenvolvimento de uma postura crítica e ética diante da informação. A formação investigativa deve ser iniciada desde a educação básica, articulando os diferentes níveis de ensino e valorizando o papel dos múltiplos agentes formadores.
Além disso, o artigo chama atenção para os desafios estruturais que dificultam a consolidação de uma política de formação científica contínua e sustentável. Entre esses desafios estão a desigualdade regional, a concentração dos programas de pós-graduação, o fraco envolvimento das famílias, a baixa articulação entre escola e biblioteca, e a necessidade de maior internacionalização da produção científica.
A pesquisa conclui que é necessário promover estratégias integradas que articulem teoria e prática, incentivem a experimentação ativa, adotem tecnologias educacionais inovadoras e contem com instrumentos avaliativos capazes de capturar a aprendizagem de forma significativa. Isso permitirá a formação de pesquisadores mais preparados, autônomos e comprometidos com o avanço da Ciência da Informação e com a transformação social.
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