RECONHECIMENTO, (IN)JUSTIÇA EPSTÊMICA E FORMAÇÃO CRÍTICA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Autores

  • Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi Universidade Federal de São Carlos
  • Marcia Regina da Silva Universidade de São Paulo
  • Camila Carneiro Dias Rigolin Universidade Federal de São Carlos
  • Julia Fernandes Marcelo Universidade do Porto

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6631

Palavras-chave:

Reconhecimento científico, (in)justiça epistêmica, formação crítica, Biblioteconomia e Ciência da Informação, dimensões simbólicas da ciência

Resumo

Este trabalho analisa como formas simbólicas de reconhecimento — como epígrafes, agradecimentos, obituários, epônimos, homenagens e resenhas — comunicam valores institucionais e epistemológicos e podem ser mobilizadas criticamente na formação em Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI). Parte-se da hipótese de que essas manifestações influenciam tanto as dinâmicas de prestígio quanto os modos de ensinar e aprender ciência. A pesquisa, de caráter teórico-conceitual e qualitativo, propõe integrar o reconhecimento científico à formação crítica por meio de conteúdos e estratégias pedagógicas que promovam reflexões sobre autoridade, exclusão e justiça epistêmica. O referencial articula os sentidos simbólicos do reconhecimento (Merton; Bourdieu), os debates sobre (in)justiça epistêmica (Fricker; Harding; Collins) e perspectivas críticas em educação (Freire; bell hooks; Kincheloe). Como resultado parcial, foi desenvolvido um quadro analítico com categorias simbólicas e sugestões pedagógicas para promover a reflexão crítica sobre os modos de consagração e exclusão na ciência. São indicadas atividades como análise de epígrafes, produção de obituários críticos, mapeamento de prêmios e debates sobre autoria e colaboração nos agradecimentos acadêmicos. Essas práticas visam ampliar o repertório conceitual e afetivo dos estudantes e favorecer percursos formativos mais sensíveis às desigualdades epistêmicas. Conclui-se que o reconhecimento pode atuar como vetor formativo relevante, contribuindo para currículos comprometidos com a justiça cognitiva e a valorização de saberes historicamente marginalizados.

Publicado

2026-01-30

Edição

Seção

Artigos