SIGILO E ÉTICA NA GESTÃO DE INFORMAÇÕES EM SAÚDE:
A EXPERIÊNCIA DO NÚCLEO DE PERÍCIAS EM SAÚDE DO IF BAIANO
Palavras-chave:
ÉTICA, DEONTOLOGIA, privacidade, direitos digitaisResumo
O artigo reflete sobre os desafios enfrentados na administração pública federal quanto ao tratamento de informações sensíveis de saúde de servidores. A partir da experiência do Núcleo de Perícias em Saúde (NUPS) do IF Baiano, o texto propõe uma análise das implicações éticas, técnicas e institucionais na gestão desses dados, tendo como base a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os princípios da ética profissional. Com abordagem qualitativa, o estudo baseia-se na observação participante e na análise documental de práticas institucionais. Apesar dos avanços normativos, ainda são frequentes os riscos de exposição indevida e circulação desnecessária de dados sensíveis, revelando a necessidade de amadurecimento da cultura organizacional quanto à privacidade e ao sigilo. Três eixos orientam a análise. O primeiro aborda as práticas informacionais e os fluxos documentais no NUPS. Aponta-se que ainda existem fragilidades tanto nos trâmites físicos quanto digitais. A falta de padronização, o acúmulo de documentos em papel, e a ausência de critérios claros para o acesso a laudos e prontuários tornam a gestão desses dados vulnerável, contrariando as diretrizes da LGPD. O segundo eixo discute a ética e o sigilo profissional. O texto defende que a informação em saúde deve ser compreendida como expressão do cuidado. A forma como o servidor adoecido é tratado, especialmente em casos graves, como câncer ou transtornos mentais, exige empatia e responsabilidade. O artigo critica a burocratização excessiva que impõe sucessivos pedidos de documentos e perícias, criando um ambiente de desconfiança e sofrimento. O sigilo, nesse contexto, ultrapassa a legalidade: trata-se de um compromisso ético com a dignidade humana. O terceiro eixo apresenta boas práticas implementadas pelo NUPS, como a adoção do campo “restrito” no SUAP para documentos sensíveis, o uso de modelos padronizados, a colaboração com a área de tecnologia da informação para criação de protocolos seguros e o diálogo com a Procuradoria Jurídica. Também são mencionadas ações de formação contínua da equipe, voltadas para o fortalecimento de uma cultura institucional alinhada à ética e à proteção de dados. Por fim, o texto propõe que a informação em saúde deve ser tratada com base no equilíbrio entre cuidado e controle, e que o respeito à LGPD, ao Código de Ética do Servidor Público e demais normas é essencial para consolidar um ambiente de trabalho mais justo. O sigilo e a segurança informacional devem ser vistos como pilares da cidadania, e não como meras exigências burocráticas. A experiência do NUPS demonstra que é possível avançar para uma gestão mais ética, sensível e protetiva dos dados de saúde no serviço público.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Marco Tulio Moreira de Souza, José Carlos Sales dos Santos, Jaqueline Silva de Souza

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.