Resumo
Enquadramento: A perturbação depressiva major é uma condição altamente prevalente e incapacitante, associada a alterações estruturais, funcionais e moleculares do cérebro, nomeadamente défices de plasticidade sináptica [1,2]. Os antidepressivos clássicos apresentam ação lenta e eficácia limitada [3]. Recentemente, os psicoplastógenos emergiram como uma nova classe terapêutica com efeitos rápidos e sustentados na plasticidade sináptica [4]. Objetivo: Comparar os efeitos dos psicoplastógenos e dos antidepressivos clássicos sobre marcadores de plasticidade sináptica na depressão. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), utilizando as bases de dados PubMed e Web of Science. Incluíram-se estudos que avaliassem biomarcadores de plasticidade sináptica após a administração de psicoplastógenos em contexto depressivo. O processo de seleção envolveu remoção de duplicados, screening de títulos e resumos e leitura integral dos artigos elegíveis. Em adição, foi construída uma rede molecular, no Cytoscape, integrando os principais fármacos, alvos e vias de sinalização associadas aos psicoplastógenos e antidepressivos clássicos. Resultados: Foram incluídos 45 estudos que avaliaram predominantemente a cetamina (n=32). Os resultados demonstraram efeitos rápidos e multimodais dos psicoplastógenos sobre biomarcadores moleculares, funcionais e estruturais, incluindo alterações na neurotransmissão glutamatérgica, aumento da excitabilidade cortical, normalização da conectividade funcional e maior flexibilidade das redes neuronais, observadas em janelas temporais agudas. Em contraste, os antidepressivos clássicos tendem a induzir alterações de forma gradual. A rede molecular evidenciou a convergência destas classes na ativação de vias associadas à plasticidade sináptica, bem como divergências mecanísticas que podem explicar a diferença temporal entre os seus efeitos terapêuticos. Conclusões: Os psicoplastógenos avaliados, com exceção da escopolamina, mostraram que são capazes de promover plasticidade sináptica rápida e sustentada, associada à melhoria clínica dos sintomas depressivos. Estes achados suportam o potencial dos psicoplastógenos como uma terapêutica inovadora na depressão, justificando investigação clínica futura mais diversificada e com maiores janelas temporais.
Referências
. Depressive disorder (depression) [Internet]. [citado 22 de dezembro de 2025]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression
2. Price RB, Duman R. Neuroplasticity in cognitive and psychological mechanisms of depression: an integrative model. Mol Psychiatry. março de 2020;25(3):530–43. doi:10.1038/s41380-019-0615-x
3. De Gregorio D, Enns JP, Nuñez NA, Posa L, Gobbi G. d-Lysergic acid diethylamide, psilocybin, and other classic hallucinogens: Mechanism of action and potential therapeutic applications in mood disorders. Prog Brain Res. 2018;242:69–96. doi:10.1016/bs.pbr.2018.07.008 PubMed PMID: 30471683.
4. Olson DE. Psychoplastogens: A Promising Class of Plasticity-Promoting Neurotherapeutics. J Exp Neurosci. janeiro de 2018;12:1179069518800508. doi:10.1177/1179069518800508

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