Inteligência Artificial na Farmácia: Inovação ou Risco Clínico?

Autores

  • Cátia Resende Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico da Guarda
  • Elsa Alves Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico da Guarda
  • Mara Custódio Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico da Guarda https://orcid.org/0009-0006-9262-7012
  • Matilde Gaspar Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico da Guarda

DOI:

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7375

Palavras-chave:

Farmácia, Inteligência Artificial, Literacia em Saúde, Segurança do Doente

Resumo

Enquadramento: As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) revolucionaram vários setores da saúde, incluindo a forma como os doentes esclarecem dúvidas relacionadas com medicamentos e terapêutica [1, 2]. No entanto, apesar da acessibilidade e rapidez destas plataformas, persistem preocupações relativamente à precisão, segurança e fiabilidade da informação farmacêutica fornecida [2, 3]. Objetivo: Avaliar a precisão científica, segurança clínica, adequação clínica e clareza das respostas fornecidas por 5 ferramentas de IA, comparando-as. Métodos: Foram colocadas 18 questões de construção própria a 5 plataformas de IA (ChatGPT, Gemini, Z.ai, Perplexity e Grok), de forma a evitar viés de personalização. As questões foram elaboradas em linguagem simples e informal, simulando dúvidas reais de doentes relativamente aos tópicos: interações medicamentosas; conservação de medicamentos; posologia; personalização da terapêutica; boas práticas na utilização de medicamentos e dispositivos médicos; e situações irreais. A avaliação foi feita através de uma escala numérica, com os pontos posteriormente convertidos em percentagem. Resultados: A avaliação das respostas de IA mostrou melhor desempenho na personalização da terapêutica (84,0%), seguida da posologia (71,7%) e interações medicamentosas (71,3%). As pontuações mais baixas verificaram-se nas boas práticas de utilização de medicamentos e dispositivos médicos (55,0%), conservação de medicamentos (48,7%) e situações irreais (46,7%). O desempenho foi adequado em cenários clínicos comuns, mas diminuiu em situações mais específicas ou excecionais. Verificou-se ainda a citação frequente de fontes credíveis mas com informação nem sempre consistente, o que pode induzir falsa credibilidade. Conclusões: As ferramentas de IA revelam-se úteis como suporte inicial à obtenção de informação em saúde, facilitando o acesso rápido a conteúdos gerais. No entanto, as suas limitações em termos de rigor clínico evidenciam que não devem ser utilizadas como fonte autónoma de decisão terapêutica, devendo ser encaradas como complementares, reforçando-se a importância da validação por profissionais de saúde e da utilização crítica da informação fornecida.

Referências

[1] Alhomoud F. Public use of ChatGPT for medication information in Saudi Arabia: a cross-sectional study. Pharmacia 2026; 73: 1–12.

[2] Comissão Europeia. Inteligência artificial no domínio dos cuidados de saúde, https://health.ec.europa.eu/ehealth-digital-health-and-care/artificial-intelligence-healthcare_pt (2025).

[3] Sallam M. ChatGPT Utility in Healthcare Education, Research, and Practice: Systematic Review on the Promising Perspectives and Valid Concerns. Healthcare 2023; 11: 887.

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Publicado

06-10-2026

Como Citar

Resende, C., Alves, E., Custódio, M., & Gaspar, M. (2026). Inteligência Artificial na Farmácia: Inovação ou Risco Clínico?. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(2), 14. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7375

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