Efeito isolado e em mistura de fármacos psicotrópicos em Chlorella vulgaris
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Palavras-chave

Ecotoxicidade
ácido valpróico
quetiapina
Chlorella vulgaris

Como Citar

Machado, B., & Barros, P. (2026). Efeito isolado e em mistura de fármacos psicotrópicos em Chlorella vulgaris. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(3), 22. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7206

Resumo

Enquadramento: A crescente contaminação do meio aquático por fármacos constitui um risco para organismos aquáticos e terrestres, pois muitos  destes compostos  persistem no ambiente após tratamento convencional de águas residuais [1,2]. O ácido valpróico (VAL) e a quetiapina (QTP) são psicofármacos amplamente utilizados no tratamento da epilepsia e da esquizofrenia, respetivamente, bem como em combinação no tratamento do transtorno bipolar.Muitos medicamentos antipsicóticos têm sido encontrados em águas superficiais devido ao aumento do seu consumo e às baixas taxas de remoção nos sistemas de tratamento [3,4]. A exposição de organismos aquáticos a psicofármacos tem sido associada a efeitos adversos, no entanto, os efeitos ecotoxicológicos do VAL e da QTP permanecem pouco estudados [5,6]. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo avaliar a fitotoxicidade do VAL e da QTP na microalga, Chlorella vulgaris, isoladamente e em mistura. Métodos: Neste estudo avaliou-se o efeito do VAL e da QTP isolados e em combinação (50/50). As microalgas foram expostas a 5 concentrações de cada composto, durante um período de 48h. A densidade celular foi quantificada a cada 24h, por leitura da densidade óptica. No final do ensaio determinou-se a taxa de crescimento e a percentagem de inibição. O ensaio foi realizado de acordo com a Norma OECD 201[7] . Resultados: O VAL e a QTP, isolados, inibiram o crescimento da microalga, sendo a redução da taxa de crescimento, mais pronunciada nas concentrações mais altas. O AV causou uma maior taxa de inibição às24h e a quetiapina às 48h do teste. Nos testes com as mistura, ocorreu também redução das taxas de crescimento. Conclusão: O ácido valpróico e a quetiapina inibem o crescimento de Chlorella vulgaris, tanto isoladamente como em combinação, com um efeito dose-dependente. Individualmente, os compostos exibem toxicidade em diferentes tempos de exposição.

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i3.7206
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Referências

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2. Patel M, Kumar R, Kishor K, Mlsna T, Pittman CU Jr, Mohan D. Pharmaceuticals of emerging concern in aquatic systems: Chemistry, occurrence, effects, and removal methods. Chem Rev.2019;119(6):351073.

3. Davey CJE, Hartelust AK, Helmus R, Praetorius A, van Wezel AP, ter Laak TL. Presence, removal, and risks of psychopharmaceuticals in wastewater streams. Environ Toxicol Chem. 2025;44(2):37585.

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6. Savuca A, Chelaru IA, Balmus IM, Curpan AS, Nicoara MN, CiobicaAS. Toxicological response of zebrafish exposed to polymeric materials and valproic acid. Sustainability. 2024;16(5):2057.

7. OECD. 2011. Test No. 201: Freshwater Alga and Cyanobacteria, Growth Inhibition Test. OECD Guidelines for the Testing of Chemicals.

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