Resumo
Enquadramento: A produção de resíduos agroindustriais, em particular cascas de fruta, representa um desafio ambiental e uma oportunidade no contexto da economia circular [1]. As cascas de limão-caviar (Citrus australasica) e maracujá-roxo (Passiflora edulis) são ricas em compostos fenólicos e flavonoides com potencial bioativo, tornando-os promissores para valorização como fontes de ingredientes funcionais [2,3]. Objetivo: Avaliar a atividade citotóxica, antioxidante, antibacteriana e o teor de fenólicos totais de extratos hidroalcoólicos de cascas de maracujá-roxo e limão-caviar. Métodos: Estudo experimental com utilização de extratos hidroalcoólicos, 70% (V/V) para limão-caviar e 40% (V/V) para maracujá-roxo, obtidos por maceração de cascas de plantas medicinais. A citotoxicidade foi avaliada pelo ensaio MTT nas linhas celulares de cancro da próstata (22RV1) e neuroblastoma (SH-SY5Y), com determinação do IC₅₀. A atividade antioxidante foi avaliada pelos ensaios ABTS, DPPH, FRAP e ferrozina, e o teor de fenólicos totais (TPC) pelo método de Folin–Ciocalteu. A atividade antibacteriana (E. coli e S. aureus) foi determinada pelo método de microdiluição, com determinação da concentração mínima inibitória (MIC), através do ensaio da resazurina. Resultados: O extrato de limão-caviar destacou-se como o resultado mais promissor, exibindo potencial atividade citotóxica na linha celular 22RV1 (IC₅₀= 11,1±0,2 µg/mL). Segundo o National Cancer Institute, extratos brutos com valores de IC₅₀ < 20 µg/mL são particularmente relevantes para estudos posteriores. Os extratos de limão-caviar e maracujá-roxo apresentaram elevado TPC (43,1 e 34,4 mg GAE/g, respetivamente), forte atividade antioxidante no ensaio ABTS (IC₅₀ = 30,8±1,1 µg/mL e 31,4±2,6 µg/mL, respetivamente) e elevado poder antioxidante de redução do ferro (FRAP) (superior no maracujá, com o valor = 1135 µmol TE/g). No ensaio da ferrozina, não foi possível determinar o IC₅₀ nas concentrações testadas (1-500 µg/mL). A atividade antibacteriana foi classificada como fraca (IC₅₀ = 1,6 mg/mL). Conclusões: As cascas estudadas constituem fontes de compostos bioativos, destacando-se o limão-caviar pelo seu potencial citotóxico, reforçando a viabilidade da sua valorização biotecnológica.
Referências
European Commission. Food Waste [Internet]. Food Safety. 2023. Available from: https://food.ec.europa.eu/food-safety/food-waste_en
Habiba U, Singh R, Pathare PB, Dar AH, Manzoor M, Sidiqi US, et al. Exploring the bioactive potential of fruit peels: A comprehensive Review. Food Chemistry Advances [Internet]. 2025 Oct 14;9:101136. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2772753X25002473
Nirmal NP, Khanashyam AC, Mundanat AS, Shah K, Babu KS, Thorakkattu P, et al. Valorization of Fruit Waste for Bioactive Compounds and Their Applications in the Food Industry. Foods. 2023 Jan 27;12(3):556.

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