Resumo
Enquadramento: A problemática da poluição ambiental é atual, uma vez que, por exemplo, as águas residuais contendo diversas concentrações de metais pesados, poluentes orgânicos e nutrientes (ex: carbono, azoto e fósforo) continuam a ser despejadas em áreas costeiras, causando degradação ambiental [1]. Desta forma, a procura de soluções sustentáveis é crucial. O processo de biorremediação consiste em remover compostos contaminantes do ambiente a partir de organismos vivos (microrganismos, plantas, fungos e algas). As algas representam, de um modo crescente e gradual, um papel ecológico vital para o ecossistema no qual se inserem [2]. Objetivo: Discutir a capacidade de biorremediação da macroalga Ulva lactuca. Métodos: Revisão da Literatura com pesquisa nas bases de dados PubMed e ScienceDirect, utilizando os termos de pesquisa “Ulva lactuca”, “Bioremediation”, “Contamination”, “Seaweeds”. Pesquisaram-se artigos com referência ao papel da U. lactuca em processos de biorremediação, em língua inglesa e sem restrição de data. Resultados: A U. lactuca, considerada como problema ambiental devido à sua rápida proliferação, pode ser vista como uma solução de biorremediação. Esta macroalga apresenta características que fazem dela uma boa opção para aplicações ambientais: ampla distribuição; elevada taxa de crescimento em condições normais e águas eutróficas; resistência a elevadas variações de salinidade, elevada taxa de absorção de nutrientes; tolerância a diferentes poluentes [1]. Estudos demonstraram que a U. lactuca tem potencial para acumular metais pesados (forte afinidade para ferro e manganês) [3] e contaminantes como os ftalatos, presentes em plásticos, e considerados fatores de risco para muitas doenças (síndromes metabólicas, hepatotoxicidade, tumores) [4]. Conclusões: A U. lactuca apresenta-se como uma promissora opção no processo de biorremediação de muitos contaminantes ambientais. Contudo, são necessários mais estudos focados na determinação das condições mais adequadas ao crescimento e proliferação desta alga, de forma a otimizar o seu rendimento e garantir a sua viabilidade a longo prazo.
Referências
1. Areco, M.M.; Salomone, V.N.; Afonso, M.; dos S. Ulva lactuca: A bioindicator for anthropogenic contamination and itsenvironmental remediation capacity. Mar Environ Res. 2021, 171, 105468.
2. Bews, E.; Booher, L.; Polizzi, T.; Long, C.; Kim, J.H.; Edwards, M.S. Effects of salinity and nutrients on metabolism and growth of Ulva lactuca: Implications for bioremediation of coastal watersheds. Mar Pollut Bull. 2021, 166, 112199.
3. Rahhou, A.; Layachi, M.; Akodad, M.; El Ouamari, N.; Rezzoum, N.E.; Skalli, A. et al. The Bioremediation Potential of Ulva lactuca (Chlorophyta) Causing Green Tide in Marchica Lagoon (NE Morocco, Mediterranean Sea): Biomass, Heavy Metals, and Health Risk Assessment. Water 2023, 15, 1310.
4. Savoca, D.; Lo Coco, R.; Melfi, R.; Pace, A. Uptake and photoinduced degradation of phthalic acid esters (PAEs) in Ulva lactuca highlight its potential application in environmental bioremediation. Environ Sci Pollut Res. 2022, 29, 90887–90897.

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