BIBLIOTERAPIA NA SAÚDE E EM CONTEXTOS HOSPITALARES

UMA ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO BRASIL E EM PORTUGAL

Autores

  • Susana Patrícia Capelo de Jesus Oliveira Marques Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra
  • Jéssica Bedin Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6638

Palavras-chave:

biblioterapia, hospitalização, saúde mental, humanização, Brasil

Resumo

A hospitalização, independentemente da gravidade do quadro clínico, representa um momento de crise marcado por desconforto, sofrimento e necessidade de adaptação a um ambiente desconhecido e impessoal. Neste contexto, a biblioterapia surge como uma estratégia capaz de promover a humanização dos cuidados em saúde, ao favorecer a expressão de sentimentos, a inclusão social e o bem-estar emocional de pessoas em situação de vulnerabilidade. Este estudo tem como objetivo comparar a produção científica sobre biblioterapia em ambientes de saúde no Brasil e em Portugal, destacando contribuições, abordagens metodoló. O quadro teórico baseia-se nos trabalhos de Caldin (2001, 2009), Seitz (2008), Sousa (2021) e Seixas (2018), que apresentam a biblioterapia como uma intervenção que pode atuar na dimensão clínica e no desenvolvimento pessoal, utilizando a leitura dirigida, discussão em grupo e mediação da literatura. A metodologia adotada foi de natureza bibliográfica, com levantamento de publicações nas bases BRAPCI (Brasil) e RCAAP (Portugal), utilizando os termos “biblioterapia”, “saúde” e “hospital”. Foram incluídos artigos, teses, comunicações científicas e pôsteres publicados entre 2002 e 2023, sem delimitação temporal prévia. Os resultados apontam que a produção científica sobre biblioterapia hospitalar é relativamente recente e discreta, especialmente em Portugal. No Brasil, destaca-se a atuação pioneira de Clarice Caldin e o predomínio de relatos de experiência e pesquisas bibliográficas, com foco em públicos pediátricos e adultos. Em Portugal, a produção está centrada em adultos com necessidades de saúde mental, com predominância de dissertações de mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica e trabalhos realizados por enfermeiros. Em ambos os países, a leitura é a principal dinâmica utilizada associada a atividades lúdico-terapêuticas. Os benefícios relatados incluem humanização dos cuidados, promoção do bem-estar, auxílio na recuperação, diminuição da ansiedade e depressão, melhoria da comunicação e da concentração. Destaca-se ainda a importância da atuação interdisciplinar, especialmente da Enfermagem, na implementação e mediação das sessões de biblioterapia. Contudo, observa-se uma lacuna de estudos empíricos robustos que avaliem de forma sistemática a eficácia da prática, indicando a necessidade de mais pesquisas na área. Conclui-se que a biblioterapia apresenta potencial para transformar o ambiente hospitalar, tornando-o mais acolhedor e centrado na pessoa, ao mesmo tempo em que se revela como um recurso inovador e acessível para a promoção da saúde integral. O avanço do conhecimento sobre a prática, aliado ao investimento em investigações futuras, poderá contribuir para a consolidação da biblioterapia como estratégia complementar nos cuidados de saúde em contextos hospitalares.

Publicado

2026-01-13

Edição

Secção

Artigos