INFORMAÇÃO, GÊNERO E MASCULIDADES NO ENFRENTAMENTO DO CÂNCER DE PRÓSTATA

UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO DO PROJETO SEMENTE AZUL

Autores

  • José Carlos Sales dos Santos
  • Fabiana Costa Lavigne
  • Ivana Aparecida Borges Lins

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6568

Palavras-chave:

câncer de próstata, masculinidades, mediação da informação, subjetividade, saúde do homem

Resumo

Este artigo investiga as interseções entre informação, saúde e masculinidades no contexto do câncer de próstata, com base na experiência do Grupo Operativo Semente Azul, realizado em um hospital filantrópico de Salvador, Bahia (Brasil). Partindo da premissa de que a masculinidade é uma construção social, histórica e cultural atravessada por normas patriarcais e discursos de poder, a pesquisa discute como informações relacionadas ao corpo, à sexualidade e ao adoecimento são buscadas, filtradas ou silenciadas por homens diagnosticados com essa neoplasia maligna. Ao articular os campos da Ciência da Informação e da Psicologia, o estudo adota uma abordagem interdisciplinar e crítica da informação, compreendida como prática cultural e relacional. Metodologicamente, trata-se de um estudo de caso com natureza descritiva, utilizando técnicas como observação sistemática, grupo focal e grupo operativo, segundo a abordagem de Enrique Pichon Rivière. Os dados iniciais revelam barreiras simbólicas importantes no enfrentamento da doença, como o constrangimento em realizar o exame de toque retal e a resistência ao uso de medicamentos para disfunção erétil, associados à ameaça à identidade masculina hegemônica. O Grupo Operativo mostrou-se um espaço privilegiado de escuta, troca e ressignificação, no qual a mediação informacional contribui para o fortalecimento de vínculos, a valorização da escuta horizontal e a desconstrução de estigmas. Os resultados indicam que o enfrentamento do câncer de próstata envolve dimensões subjetivas e culturais que impactam diretamente as práticas de cuidado e a apropriação da informação. Conclui-se que a informação, quando mediada de forma crítica, pode operar como instrumento de emancipação e cuidado integral, sobretudo ao reconhecer as especificidades de homens oriundos de contextos populares e atravessados por marcadores sociais como idade, raça e escolarização. A pesquisa reafirma a importância de práticas informacionais sensíveis à pluralidade das masculinidades e à complexidade dos processos de adoecimento.

Palavras-chave: câncer de próstata; masculinidades; mediação da informação; subjetividade; saúde do homem.

Publicado

2026-01-30

Edição

Secção

Artigos