Aprendizagem para transformar

resultados da disciplina Informação para Inovações de Impacto Social

Autores

Palavras-chave:

Inovação, Inovação Social, Inovação de Impacto Social, Impacto Social, Biblioteconomia

Resumo

Esta comunicação objetiva compartilhar a experiência desenvolvida ao longo dos dois semestres de 2024 na UFRGS, evidenciando como a disciplina “Informação para Inovações de Impacto Social” constituiu-se em espaço de formação crítica, intervenção territorial e exercício da imaginação bibliotecária como prática de cuidado, reconstrução e transformação social. A disciplina foi desenvolvida com base em metodologias ativas de aprendizagem, notadamente o ensino baseado em projetos e em problemas. As atividades se dividiram em três etapas: 1) fundamentação teórica; 2) trabalho de campo com observação e entrevistas em bibliotecas impactadas pelas enchentes de maio de 2024; 3) proposição de soluções e apresentação de projetos. Importa destacar que a disciplina não foi inicialmente pensada com foco nesse desastre climático específico. No entanto, a flexibilidade de sua concepção e a abordagem metodológica centrada em problemas reais permitiram uma resposta rápida e sensível às novas demandas que emergiram com a crise. Essa capacidade de adaptação reforça seu potencial como espaço formativo conectado ao território e às urgências sociais. Embora as propostas elaboradas não tenham sido implementadas, o processo de construção coletiva dos projetos permitiu a aplicação prática das metodologias aprendidas — como o Design Thinking, o Mapa de Empatia e o Lean Startup — de forma alinhada aos referenciais da Ciência da Informação orientada ao bem comum. As experiências possibilitaram o desenvolvimento de competências técnicas, éticas e políticas, reafirmando o papel da Gestão da Informação como área estratégica na mediação de processos sociais, culturais e organizacionais.

As diferenças observadas entre os semestres revelaram a riqueza e a adaptabilidade da abordagem adotada: ora priorizando vínculos comunitários e ações culturais; ora enfatizando a reorganização institucional e a mediação digital. Essa diversidade expressa a potência pedagógica de um ensino conectado ao território, ancorado na curricularização da extensão e comprometido com a construção de futuros mais justos e solidários. Como contribuição para o campo da Ciência da Informação, a experiência relatada neste trabalho reforça a importância de práticas pedagógicas que incorporem a escuta ativa, a empatia e a coautoria como princípios orientadores da formação profissional. Ao reconhecer as bibliotecas como infraestruturas críticas de cuidado, memória e reconstrução, reafirma-se também a necessidade de políticas públicas que fortaleçam esses espaços e seus agentes.

Biografia do Autor

Priscila Machado Borges Sena, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)

Doutora (2020) e Mestra (2014) em Ciência Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina (PGCIN/UFSC). Graduada em Biblioteconomia (2009) pela Universidade Federal de Mato Grosso/Rondonópolis (UFMT). É Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict); Professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGInfo/UDESC); Coordenadora Nacional (Ibict) da Rede Brasileira de Repositórios Digitais (RBRD) e; Diretora Regional Sul (Gestão 2023-2026) da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições (FEBAB). Experiência na área de Ciência da Informação, com interesse voltado para os seguintes temas: fontes de informação; ecossistemas de startups e inovação; empreendedorismo; tecnologia e inovação; inovação em biblioteca; inovação aberta; ciência aberta. Outras informações aqui.

Publicado

2025-11-10

Edição

Seção

Artigos