A Representação Arquivística em Arquivos Institucionais e sua Aplicação na Produção Documental do Museu Casa de Rui BarbosaRepresentação Arquivística em Arquivos Institucionais e sua Aplicação na Produção Documental do Museu Casa de Rui Barbosa

Autores

  • Bianca Therezinha Carvalho Panisset
  • Isabella Henrique Lima Pereira
  • José Antonio da Silva

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6678

Palavras-chave:

Arquivos Institucionais, Representação Arquivística, Gestão de Documentos, Fundação Casa de Rui Barbosa

Resumo

O artigo investiga a representação arquivística no acervo institucional da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), com foco na documentação produzida pelo Museu Casa de Rui Barbosa (MCRB), o primeiro museu-casa público do Brasil. Fundamentado na teoria de Geoffrey Yeo, que compreende os documentos como representações persistentes das atividades e dos contextos em que são produzidos, o estudo busca compreender de que forma os documentos arquivísticos do MCRB refletem seu papel institucional, suas ações de preservação e difusão cultural e sua incorporação na memória da própria FCRB. A pesquisa integra o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura (PIPC) da Fundação e se justifica pela relevância histórica do acervo, pela efeméride do centenário do Museu e pela importância da valorização do patrimônio institucional. O Serviço de Arquivo Histórico e Institucional (SAHI) da FCRB, responsável pela gestão e organização dos arquivos institucionais, é compreendido não apenas como unidade técnica, mas como agente de mediação simbólica, atuando na construção das narrativas institucionais por meio de práticas de classificação, descrição e acesso à documentação. A pesquisa adota abordagem qualitativa e descritiva, articulando revisão bibliográfica e análise documental de 140 documentos classificados segundo o código institucional da Fundação. Os documentos analisados revelam transformações nas formas de narrar a atuação do Museu, desde os registros focados na conservação física e catalogação, presentes nos primeiros relatórios manuscritos, até os mais recentes, que enfatizam ações educativas, culturais e de pesquisa.  A análise da documentação  reforça a compreensão de que a representação arquivística é marcada por decisões sobre o que merece ser documentado e lembrado. Como desdobramento da pesquisa, propõe-se a realização de uma mostra documental em comemoração aos 100 anos do MCRB, articulando os resultados da investigação com ações de difusão e acesso ao acervo, por meio de eixos temáticos que evidenciem a trajetória do Museu e sua atuação social. Conclui-se que os documentos do MCRB são elementos centrais na construção da memória da FCRB, atuando como registros simbólicos e históricos que expressam os sentidos atribuídos às práticas institucionais ao longo do tempo, e que o trabalho arquivístico, ao representar, organizar e difundir essa documentação, participa ativamente da constituição da identidade institucional e da legitimação de sua função social.

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Publicado

2026-01-13

Edição

Seção

Artigos