A Importância do Planejamento Estratégico na Redução do Índice de Alunos Não Diplomados no Curso de Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba

Autores/as

Palabras clave:

Graduação em Arquivologia, Planejamento Estratégico, Evasão universitária

Resumen

Analisa como o planejamento estratégico (PE) pode contribuir para reduzir o índice de não diplomação no curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), considerando os fatores internos e externos que afetam a permanência dos discentes. O estudo parte da constatação de elevadas taxas de evasão, retenção e não diplomação que comprometem a efetividade do curso. A pesquisa foi desenvolvida com abordagem mista e delineamento exploratório-descritivo, incorporando dados quantitativos (como índices de evasão, reprovação e satisfação discente) e qualitativos (entrevistas e análise documental). No campo teórico, a pesquisa sustenta-se nos fundamentos do planejamento estratégico e sua aplicação na gestão universitária, destacando sua capacidade de integrar diagnóstico institucional, metas de desempenho e ações de melhoria contínua. A revisão da literatura revelou a carência de cultura estratégica em muitas instituições de ensino superior, onde os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) não incorporam práticas de gestão como a análise SWOT, tampouco estabelecem mecanismos de controle e avaliação de resultados. Neste contexto, o PE é posicionado como ferramenta essencial para alinhar o curso de Arquivologia às diretrizes do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e às expectativas dos estudantes. Os resultados da análise dos dados institucionais indicaram um agravamento da não diplomação ao longo dos anos. O Índice de Conclusão do Curso (ICC) apresentou queda expressiva, especialmente nas turmas ingressantes a partir de 2013. A evasão aparece como fenômeno crítico, revelando picos de abandono em várias turmas, enquanto a retenção evidencia a permanência prolongada de alunos sem progresso acadêmico significativo. Além disso, o Índice de Reprovação Acadêmica (IRA) demonstrou correlação com a evasão, ao passo que a insatisfação discente, medida pelo Net Promoter Score (NPS), reforça a urgência de reestruturações na matriz curricular do curso. Esses dados foram sistematizados em um Índice de Desempenho Geral do Curso (IDGC), que integra variáveis quantitativas e qualitativas e será usado como instrumento de monitoramento contínuo. No campo qualitativo, as entrevistas e questionários revelaram que os principais fatores associados à intenção de abandono estão ligados à desmotivação com a carreira, à percepção de más perspectivas profissionais, ao descontentamento com a estrutura curricular e à sobrecarga acadêmica. Conflitos pessoais, dificuldades financeiras e problemas de infraestrutura foram igualmente apontados como agravantes. A análise SWOT revelou pontos fracos internos, como a defasagem tecnológica dos laboratórios, a falta de atualização curricular, a desmotivação do corpo docente e a ausência de práticas de governança acadêmica estruturada. Entre as ameaças externas, sobressaem-se a redução de investimentos públicos, o avanço das tecnologias de informação, a concorrência de cursos mais atrativos (inclusive EAD). A combinação desses fatores compromete tanto a atratividade quanto a permanência no curso. A proposta do PE visa enfrentar essas fragilidades por meio de ações estratégicas como modernização de infraestrutura, revisão curricular com foco em competências digitais, capacitação docente, implementação de sistema de alerta precoce para abandono e estímulo à empregabilidade dos egressos. O PE foi elaborado de forma alinhada ao PDI da UFPB e ao novo PPC do curso, em tramitação, consolidando um mapa estratégico, indicadores de desempenho e metas realistas para o período 2025–2030. O planejamento estratégico se configura como instrumento imprescindível para o diagnóstico contínuo, a formulação de intervenções assertivas e o acompanhamento dos resultados. Sua institucionalização promove não apenas a melhoria da taxa de diplomação, mas também o fortalecimento da cultura de gestão acadêmica, a qualidade da formação e a sustentabilidade do curso frente às exigências da sociedade e do mercado de trabalho. O trabalho reforça, portanto, a necessidade urgente de uma gestão estratégica comprometida com a excelência formativa e com a permanência estudantil no ensino superior público.

Publicado

2025-11-10

Número

Sección

Artigos