MAPEAMENTO TEMÁTICO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE O USO DE NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE TESAUROS

Autores/as

  • Tatiana de Almeida
  • Isabella Carolina do Nascimento Pinto

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6722

Palabras clave:

Elaboração de tesauros, Mapeamento temático, Revisão sistemática da literatura

Resumen

O presente estudo tem por objetivo mapear e descrever as normas utilizadas para a elaboração de tesauros na produção científica brasileira dos últimos cinco anos. Parte-se do pressuposto de que o uso de normas é essencial na elaboração de Sistemas de Organização do Conhecimento (SOCs), uma vez que elas possibilitam a estruturação de assuntos de forma consistente e coerente, quando voltados para domínios específicos do conhecimento. A adoção de normativas garante que a estrutura formada pela organização padronizada desses assuntos - representada por um tesauro, um vocabulário estruturado ou uma taxonomia - seja compreensível e utilizável pela comunidade usuária de sistemas de recuperação, promovendo a interoperabilidade entre eles e a recuperação eficiente da informação. Conforme aponta Brito (2022), instrumentos como os tesauros requerem metodologias baseadas em estudos de usuários, além de estruturas formadas a partir de normas que estabeleçam seus princípios e padrões de construção. Assim, tais normas desempenham papel fundamental na definição dos termos e na metodologia empregada no estabelecimento das relações hierárquicas e associativas que compõem os tesauros, sendo indispensáveis para sua eficácia. Para atingir o objetivo proposto, empregou-se como metodologia uma revisão sistemática de literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo. A etapa de pesquisa da revisão foi realizada na base de dados OasisBR, na Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD) - ambas administradas pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) - bem como na Plataforma Sucupira - gerida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e vinculada ao Ministério da Educação (MEC) do Brasil - e no Google Acadêmico, mantido pela empresa multinacional Google. Desta forma, a questão de pesquisa norteadora da revisão sistemática de literatura assim se apresenta: quais são as normas nacionais e internacionais utilizadas atualmente na elaboração de tesauros em bibliotecas e quais são as suas orientações? Para a seleção das bases de dados utilizadas, consideraram-se critérios como sua relevância e profundidade analítica, com destaque para teses e dissertações, recorte documental da pesquisa, que são tipos de documentos reconhecidos por oferecerem contribuições teóricas e práticas originais sobre temas específicos. A originalidade e o aprofundamento dos estudos acadêmicos selecionados permitiram compreender as normas adotadas, o contexto de aplicação e as reflexões críticas realizadas pelos autores em seus campos de atuação profissional. As estratégias de busca utilizadas contemplaram uma combinação de expressões em português e inglês como “norma E tesauro”, “ABNT E tesauro”, “‘Associação Brasileira de Normas Técnicas’ E tesauro”, “ISO AND thesaurus”, “ISO E tesauro”, "elaboração de tesauro", “standard AND thesaur*”, “desenvolvimento de tesauro”, “construção de tesauro”, "criação de tesauro", e “norma E tesauro E biblioteconomia”. Essa diversidade de combinações possibilitou capturar o maior número possível de estudos pertinentes ao escopo da pesquisa. A busca resultou na recuperação de 1.016 documentos, entre teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso (TCCs). Estes últimos, embora com menor extensão ou profundidade de conteúdo, foram recuperados no Google Acadêmico e incluídos na seleção dos estudos por apresentarem discussões relevantes e atualizadas sobre o tema. Para seleção dos estudos mais adequados à revisão sistemática, identificando aqueles que efetivamente discutiam a aplicação de normas na elaboração de tesauros, foram analisadas as seguintes partes: título, introdução, metodologia e conclusão. Os resultados parciais dos 25 estudos considerados relevantes, até o momento, apontam que, entre os anos de 2020 e 2024, houve predominância da utilização da norma internacional ISO 25964-1, publicada em 2011, que trata da elaboração e manutenção de tesauros para recuperação da informação; da norma norte-americana ANSI/NISO Z39.19-2005, publicada em 2010, que fornece diretrizes para a construção, formato e gestão de vocabulários controlados monolíngues; e do Modelo Metodológico Integrado para Construção de Tesauro, desenvolvido por Brígida Maria Nogueira Cervantes, utilizado como referência metodológica no contexto da Biblioteconomia brasileira, desde sua criação em 2009. Maia (2022) relata que não é possível construir um SOC sem estudos adequados, voltados para os usuários. Complementando, a autora diz que para ter consistência e auxiliar na recuperação da informação, o tesauro precisa ser elaborado com o apoio de um guia ou norma técnica (Maia, 2022). Para ela, a escolha em utilizar a norma ISO 25964-1 se justifica por ser a mais atualizada para construção de tesauros. Terra (2023) salienta que a norma ANSI/NISO Z39.19-2005 define o tesauro como vocabulário controlado organizado em uma ordem conhecida e estruturado com as relações existentes entre os termos explicitamente demonstradas. Maia (2022) informa que há indicação de uso do tesauro na norma ANSI/NISO Z39.19-2005 para cinco finalidades: tradução, consistência, relacionamentos, recuperação e navegação. Segundo Ferreira (2023), o Modelo metodológico de Cervantes para construção de tesauro é importante por dispor de sistematização das etapas estabelecidas para a construção de tesauros, baseada nas premissas da investigação sobre Documentação/Construção de tesauros e Terminologia/Terminografia. Observa-se ainda uma crescente preocupação dos profissionais da área com o contexto social, cultural e religioso dos usuários dos sistemas de organização do conhecimento. Essa visão desencadeia a elaboração de vocabulários mais sensíveis e adaptados à realidade local, promovendo um equilíbrio entre a padronização técnica e o respeito às dinâmicas sociais e culturais contemporâneas. Gomes (2023) destaca que a norma ANSI/NISO Z39.19-2005 considera as garantias literária, de uso ou de usuário e organizacional. O autor também evidencia que usar uma garantia não impossibilita usar outras no mesmo processo de elaboração de tesauro (Gomes, 2023). Essa tendência de utilizar diversos tipos de garantias revela um movimento de evolução na prática biblioteconômica, em que a normatização não se apresenta como um fim em si mesma, mas como um meio para alcançar uma representação da informação mais democrática, acessível e contextualizada.

Publicado

2026-01-13

Número

Sección

Artigos