INTERSEÇÃO DAS QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS, DE GÊNERO E SEXUALIDADE NO ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA
REFLEXÕES A PARTIR DA DISCIPLINA BIBLIOTECONOMIA, EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6576Palabras clave:
Ensino de biblioteconomia, Interseccionalidade, relações étnico-raciais, Estudo de gêneroResumen
A interseção entre questões étnico-raciais, de gênero e sexualidade no ensino de Biblioteconomia é um tema emergente, especialmente na disciplina "Biblioteconomia, Educação e Diversidade". Este campo de estudo busca formar profissionais não apenas na gestão de informações, mas também na compreensão das dinâmicas sociais que afetam bibliotecas e espaços de informação. As desigualdades históricas que impactam grupos marginalizados exigem uma abordagem crítica que integre perspectivas étnico-raciais, de gênero e sexualidade. Essa interseção é vital para formar bibliotecários que reconheçam a importância da diversidade e do respeito às identidades, contribuindo para ambientes mais justos e acessíveis nas bibliotecas e na sociedade. O objetivo do artigo é apresentar a experiência da disciplina "Biblioteconomia, Educação e Diversidade" na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde é oferecida como optativa para cursos de Biblioteconomia e como eletiva para Pedagogia e Engenharia de produção. As práticas pedagógicas envolvem o desenvolvimento de projetos que integram conteúdos inclusivos, promovendo a participação ativa dos estudantes. A disciplina buscou não apenas enriquecer a experiência de aprendizagem, mas também desenvolver competências socioemocionais e cidadãs, preparando os estudantes para atuar de forma crítica em uma sociedade plural. Assim, "Biblioteconomia, Educação e Diversidade" se tornou um espaço de reflexão e ação, capacitando futuros profissionais a serem agentes de transformação social. O referencial teórico da disciplina é fundamentado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e em estudos culturais que abordam a inclusão e diversidade. A obra de Baptista (2009) e de Stuart Hall (2006) são centrais para compreender as dinâmicas sociais contemporâneas. Além disso, a interseccionalidade proposta por Crenshaw (2002) é incorporada, juntamente com os trabalhos de Bell Hooks e Audre Lorde, que discutem as interseções entre raça, gênero e sexualidade. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, utilizando uma abordagem bibliográfica e descritiva para relatar a experiência didática. Os resultados evidenciam a avaliação final dos alunos, que apresentaram artigos sobre a contribuição da Biblioteconomia para a diversidade e inclusão de grupos em vulnerabilidade social. Os temas abordados incluíram a inclusão de pessoas surdas, a história e cultura afro-brasileira, racismo ambiental, e o uso de vocabulário controlado contra a lesbofobia. Os discentes demonstraram consciência crítica e comprometimento social ao buscar soluções teóricas e metodológicas para enfrentar desigualdades. Em conclusão, a inclusão de pressupostos teóricos que revelam aspectos sócio-históricos de grupos vulneráveis contribui para uma formação pedagógica culturalmente relevante. Isso delineia caminhos para um ensino transversal e intercultural, promovendo uma práxis humanizadora em prol da justiça social e informacional.
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