O MUSEU HISTÓRICO NACIONAL BRASILEIRO SOB O PRISMA DAS ECOLOGIAS INFORMACIONAIS COMPLEXAS

Authors

  • Jean Fernandes Brito
  • Gustavo Camossi
  • Fernanda Alves Sanchez

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6741

Keywords:

Museus, Ecologia da Informação, Ecologia Informacional Complexa

Abstract

Os museus desempenham várias funções na sociedade, que se inter-relacionam e contribuem para a preservação e disseminação do conhecimento e da cultura. Além de expor os objetos museológicos por meio da musealização, os museus também têm a responsabilidade de preservar tradições e práticas culturais imateriais e materiais (Padilha, 2014).

 

O Museu Histórico Nacional (MHN), localizado na cidade do Rio de Janeiro,  é um dos museus mais importantes do patrimônio cultural e histórico do Brasil. Fundado em 1922, desempenha um papel fundamental na preservação e disseminação da história nacional, que inclui artefatos, documentos, fotografias, obras de arte e objetos etnográficos (Museu Histórico Nacional, 2024).

 

Entretanto, para além de seu papel tradicional como uma instituição histórica o MHN, pode ser compreendido como uma ecologia informacional complexa, na qual diversos fluxos de informações, interações e processos se entrelaçam para formar uma rede dinâmica de informação e conhecimento.

 

O conceito de ecologia informacional complexa emerge dos estudos teóricos e práticos da Arquitetura da Informação Pervasiva (AIP), conforme elucidado por Oliveira (2014) e Oliveira & Vidotti (2016). Assim, entendemos as ecologias informacionais complexas como objetos de investigação da AIP, que lida com ambientes (analógicos e digitais), tecnologias, sujeitos e seus respectivos comportamentos, ligados de forma holística pela informação.

 

Nesse contexto, Brito (2023) aprofunda os estudos sobre ecologias informacionais complexas e aplica o conceito no âmbito dos museus, entendendo que a ecologia informacional nesses espaços se trata de um sistema complexo que abrange uma variedade de elementos interligados, tanto analógicos quanto digitais

Assim, essa pesquisa tem a seguinte questão de pesquisa: Como está estruturada a ecologia informacional complexa do Museu Histórico Nacional? De modo a responder este questionamento o objetivo desta pesquisa é analisar e descrever a ecologia informacional complexa do MHN, e  entender como esses elementos se interconectam e se complementam, formando um ambiente dinâmico que vai além das paredes do museu.

Outro fator importante para a justificativa deste estudo é a necessidade de compreender como os museus estão se adaptando aos impactos das tecnologias digitais e às demandas por acessibilidade e participação social ampliada. O Museu Histórico Nacional tem desenvolvido diversas iniciativas digitais, educativas e participativas que vão além do espaço físico tradicional e alcançam públicos geograficamente distantes ou socialmente marginalizados. Tais práticas revelam um processo de reinvenção institucional que merece ser documentado, analisado e compreendido, para que outras instituições possam se inspirar e para que as políticas públicas de cultura possam ser aprimoradas com base em experiências concretas. Ao descrever detalhadamente a ecologia informacional complexa do MHN, esta pesquisa oferece subsídios para a formulação de estratégias mais eficazes de gestão museológica e para a promoção de políticas culturais inclusivas.

Do ponto de vista da Museologia, este trabalho representa uma contribuição relevante por trazer para o centro do debate acadêmico a noção de ecologia informacional como chave para a compreensão dos museus contemporâneos. A Museologia, como campo interdisciplinar voltado para o estudo crítico das práticas museológicas, têm incorporado progressivamente conceitos oriundos de outras áreas para dar conta da complexidade das instituições museais na atualidade. Nesse contexto, a incorporação da perspectiva ecológica e informacional amplia o olhar sobre os museus, permitindo compreendê-los não apenas como lugares de guarda e conservação de objetos, mas como ambientes vivos de produção, mediação e circulação de informações, narrativas e sentidos. A partir desta pesquisa, reforça-se a noção de que o museu deve ser visto como um sistema em constante interação com a sociedade, cujas práticas informacionais precisam ser analisadas de forma integrada para que possam ser aprimoradas.

Para a área da Ciência da Informação, esta pesquisa também oferece avanços significativos. Ao aplicar o conceito de ecologia informacional a um contexto museológico, o trabalho amplia o escopo empírico e teórico da disciplina, demonstrando como os conceitos fundamentais da Ciência da Informação como organização da informação, mediação, acesso, memória e fluxos informacionais  são centrais para o funcionamento e a inovação nos museus. Este estudo revela que os museus podem ser analisados como sistemas de informação que organizam, disponibilizam, interpretam e comunicam acervos para diferentes públicos. Tal abordagem abre novas possibilidades para a pesquisa interdisciplinar entre a Museologia e a Ciência da Informação, criando pontes teóricas e práticas que podem beneficiar ambas as áreas. Além disso, esta pesquisa destaca como as práticas museológicas podem se beneficiar das metodologias e dos princípios da Ciência da Informação para melhorar sua gestão informacional e ampliar seu impacto social.

No que se refere ao próprio Museu Histórico Nacional, esta pesquisa contribui de maneira concreta para a reflexão institucional e para o aprimoramento de suas estratégias de comunicação, curadoria e gestão. Ao sistematizar e descrever de forma detalhada sua ecologia informacional, o trabalho oferece um diagnóstico que pode ser útil para a identificação de pontos fortes, lacunas e áreas de oportunidade. Tais informações podem subsidiar a tomada de decisão por parte de gestores, curadores e educadores, auxiliando no planejamento de ações futuras e na consolidação do papel do museu como protagonista no campo cultural brasileiro. Ademais, a divulgação dos resultados desta pesquisa pode fortalecer a visibilidade do museu, não apenas junto à comunidade acadêmica, mas também perante a sociedade em geral, destacando sua relevância para a memória nacional e para a construção de um futuro mais democrático e plural.

Portanto, este trabalho se justifica por articular, de forma inovadora, a teoria das ecologias informacionais complexas às práticas museológicas contemporâneas, contribuindo para a consolidação desse referencial teórico no Brasil e oferecendo uma análise crítica e aplicada de um caso emblemático. A pertinência social, acadêmica e institucional da pesquisa fica evidenciada quando se reconhece que os museus são instituições fundamentais para a garantia dos direitos culturais e para a promoção da cidadania. Assim, compreender e descrever a ecologia informacional do Museu Histórico Nacional não é apenas um exercício acadêmico, mas também um gesto de compromisso com a preservação da memória coletiva, com a valorização da diversidade e com o fortalecimento da democracia cultural.

Published

2026-01-13

Issue

Section

Artigos