EcoSaber Digital

Conservação, Ética e Impactos Sociais na Gestão da Informação

Authors

  • Nuno Sousa Centro de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6665

Keywords:

EcoSaber Digital, Inteligência Artificial, Gestão da Informação, Ética Algorítmica, Inclusão Informacional

Abstract

A presente investigação propõe o conceito de EcoSaber Digital como um modelo conceptual integrador para a compreensão das transformações na gestão da informação impulsionadas pela inteligência artificial (IA). O modelo parte da premissa de que os ecossistemas informacionais contemporâneos devem ser pensados não apenas em termos de eficiência tecnológica, mas também em função de valores éticos, sociais e ambientais. A investigação apoia-se numa revisão sistemática da literatura, com especial enfoque na intersecção entre IA, ética, sustentabilidade digital e inclusão informacional.

A transição digital tem promovido o uso intensivo de tecnologias baseadas em IA para organizar, preservar e disseminar conhecimento. No entanto, esse processo é acompanhado por riscos relevantes, tais como a intensificação de desigualdades informacionais, a opacidade algorítmica e os impactos ambientais crescentes. O estudo propõe, assim, uma abordagem crítica à incorporação da IA em contextos como bibliotecas, arquivos e centros de documentação, com foco na construção de ambientes digitais mais justos, colaborativos e resilientes.

Do ponto de vista teórico, a análise estrutura-se em torno de quatro eixos principais: (1) a transformação digital e a exigência de revisão cultural e operacional nas instituições; (2) os frameworks éticos que orientam o uso responsável da IA; (3) a governança colaborativa enquanto modelo de partilha decisória; e (4) as aplicações emergentes da IA na curadoria e preservação digital. Esta fundamentação baseia-se em 15 estudos centrais extraídos de uma amostra maior de 49 artigos, selecionados a partir de bases de dados como a Scopus e a Web of Science, assegurando robustez e representatividade da literatura científica analisada.

Os resultados revelam que a adoção da IA não deve ser entendida exclusivamente como instrumento de automatização, mas como elemento que reconfigura o modo como a informação é produzida, validada e acedida. A investigação destaca, por exemplo, o papel dos chatbots conversacionais, a extração automatizada de metadados, e o uso da IA para monitorização da integridade digital como formas de potencializar a sustentabilidade informacional. Contudo, ressalta-se que tais práticas devem estar ancoradas numa estrutura ética clara, evitando a reprodução de vieses, reforçando a equidade e promovendo a transparência algorítmica.

Neste contexto, a investigação propõe um conjunto de cinco diretrizes práticas para orientar uma implementação ética e sustentável da IA em ambientes informacionais: (1) auditoria e rastreabilidade algorítmica; (2) formação contínua dos profissionais da informação; (3) governança colaborativa com envolvimento dos utilizadores; (4) promoção da inclusão digital como princípio transversal; e (5) monitorização da pegada ecológica das infraestruturas tecnológicas. Estas recomendações visam transformar a IA num instrumento alinhado com os objetivos sociais e ambientais das organizações.

Por fim, o estudo sublinha que a construção de um EcoSaber Digital exige um compromisso político e institucional com a justiça informacional e com a preservação intergeracional do conhecimento. A IA, longe de ser um fim em si, deve ser vista como um meio para reforçar a coesão social, o acesso equitativo à informação e a sustentabilidade dos ecossistemas de saber.

Published

2026-01-13

Issue

Section

Artigos