CONTRIBUIÇÕES DA BIBLIOTECA ESCOLAR PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA CIDADANIA DIGITAL
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6637Keywords:
Biblioteca Escolar, Inteligência Artificial, Cidadania Digital, Redes de Bibliotecas EscolaresAbstract
O acesso à informação está cada vez maior e mais rápido, auxiliado pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Assim, surge a necessidade de saber filtrar as informações apresentadas. Entendemos informação como um elemento essencial para o pleno exercício da cidadania dentro do campo democrático. A Biblioteca Escolar, seja pública ou privada, objetiva oferecer serviços de informação, a formação de leitores, apoio aos docentes na formulação das atividades pedagógicas. Compreendemos Cidadania como o sentimento comunitário, de inclusão, direitos civis, políticos e econômicos, manifestação verdadeira da democracia. Quando pensamos em Inteligência Artificial (IA), termo elaborado em 1956 por John McCarthy sua finalidade e utilização a definem. Há conceitos de IA não biológica com capacidade de desenvolver atividades com a mesma qualidade que um ser humano faria (Tegmark, 2019), outras simulam o raciocínio humano auxiliando em tarefas de ensino aprendizagem. Consolidadas como ferramenta educacional, as Tecnologias da Informação e Comunicação merecem atenção especial, nesse momento que as relações humanas extrapolaram o presencial e contratos sociais entre o lícito e o ilícito possuem uma linha tênue. Objetivou-se neste estudo refletir como a biblioteca escolar contribui com a construção de uma cidadania digital. Iniciaremos pelo conceito de cidadania, na seção seguinte abordaremos a biblioteca escolar e seu posicionamento frente às questões relacionadas à IA e as considerações parciais. Metodologicamente a pesquisa é descritiva aos moldes qualitativos sob a perspectiva bibliográfica.
De acordo com Pinsky e Pinsky (2021, pp. 49)”Cidadania é um conceito derivado da Revolução Francesa (1789) para designar o conjunto de membros da sociedade que têm direitos e decidem o destino do Estado.” A evolução dos direitos civis, em uma nova concepção política, modificou o conceito de liberdade, impactando no modelo de Estado. O conceito de cidadania é a manifestação verdadeira da democracia construída historicamente a partir de reivindicações ligadas às questões das más condições de trabalho na Revolução Industrial e Francesa dos séculos XVII e XVII, bem como com contribuições dos estudos Marxistas no século XIX. Para refletir a construção da cidadania digital, é necessário um amplo debate envolvendo usuários, poder público e a sociedade em geral. Dentre as contribuições da Ciência da Informação, a biblioteca escolar coopera em ações de educação e formação do usuário. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, 47.802 milhões de domicílios brasileiros possuíam acesso à internet. Em 2023, o número passou para 72.462 milhões de um total de 90.704.582 de domicílios no Brasil. Em 7 anos aumentou aproximadamente 51,5% a cobertura de internet no país. A pandemia de COVID -19 modificou a comunicação, trabalho e estudo exigindo mudanças comportamentais frente ao cenário global. As atividades escolares se tornaram remotas e tivemos que nos habituar com termos com síncrono e assíncrono, bem como desenvolver nossas atividades remotamente. Há alguns meses no Brasil aconteceu uma trend que, a partir de uma foto de nossa preferência, o Chatgpt criava uma nova imagem ao estilo Studio Ghibli (estúdio de animação japonês). O Portal G1 afirmou que em uma hora o aplicativo ganhou 1 milhão de usuários.
Para buscas nas bases de dados quanto mais específico for o termo, melhores serão os resultados. E assim o fizemos no aplicativo esperando gerar a imagem. O resultado foi muito distante do esperado. Após muitas tentativas e erros, descobrimos que deveríamos fazer o movimento inverso, quanto mais informação, quanto mais natural a linguagem utilizada, melhores foram os resultados.
Essa demonstração revelou que a lógica utilizada nesses aplicativos é diferente da que aprendemos como bibliotecários. Com isso, precisamos entender como definir boas premissas na busca, bem como formar os usuários.
O Manifesto da Biblioteca Escolar IFLA-UNESCO (2025) declara a biblioteca escolar como espaço de aprendizagem com “colaboração ativa na alfabetização, pensamento crítico e criatividade, cidadania global, educação inclusiva e equitativa" (tradução nossa). Destacamos do texto o termo “criadores de informação em múltiplos formatos” mostrando-se alinhado com a forma atual dos usuários se relacionarem com informação.
No documento “Desenvolvendo uma Resposta Estratégica da Biblioteca à Inteligência Artificial” (tradução nossa) conceitua Inteligência Artificial (IA) (IFLA, 2023) como:
um conjunto de tecnologias e ferramentas que visam reproduzir ou superar habilidades em sistemas computacionais que exigiriam 'inteligência' se humanos as executassem. Isso pode incluir a capacidade de aprender e se adaptar; de sentir, compreender e interagir; de raciocinar e planejar; de agir autonomamente; ou mesmo criar. Ela nos permite usar e dar sentido aos dados.
O documento discute o impacto da Inteligência Artificial na biblioteca, bem como traz a análise SWOT forças (strengths), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) como uma ferramenta de gestão que mostra áreas que podem ser melhoradas e desenvolver estratégias eficazes como suporte às decisões locais sobre IA.
O texto ressalta pontos positivos e negativos, trazidos pelos Tecnologias Inteligentes baseadas em dados como:
- ferramentas de tradução;
- sumarização;
- leitura de coleções de dados legíveis por computador;
- digitalização e automação de coleções históricas e raras;
- recomendações personalizadas de materiais bibliográficos;
- otimizar o processo de aquisição;
- proteção e privacidade de dados, transparência e responsabilidade;
- impacto social no acesso aos meio tecnológicos;
- desigualdade digital;
- impactos na opinião pública;
- notícias falsas;
- desinformação;
- violação dos direitos autorais.
Esses pontos são discutidos também pela Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal - RBE, em publicações feitas em seu blogue que reitera a necessidade de discussão, principalmente porque a maioria dos usuários das bibliotecas escolares são menores de idade. As bibliotecas escolares brasileiras perdem no desenvolvimento de estratégias de gestão para determinar pontos fortes e fracos.
Castro Filho (2018) em seu estudo sobre redes de bibliotecas brasileiras e portuguesas afirma que um serviço informacional organizado em rede, parcerias entre os setores da estrutura educacional são formadas, na rede de bibliotecas há a redução de custos e de tempo em tarefas como catalogação.
Contudo, esperamos que no Brasil as discussões sobre o tema avancem para que as bibliotecas escolares possam oferecer o suporte necessário para que a Cidadania, não somente a digital, seja uma realidade nos serviços de informação. Contribuindo para uma sociedade mais justa, baseada na equidade e nas práticas coerentes na utilização dos meios digitais de informação.
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