AÇÕES EDUCATIVAS EM ARQUIVOS E GOVERNANÇA ARQUIVÍSTICA

UM ESTUDO COMPARADO ENTRE FRANÇA E BRASIL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6975

Palavras-chave:

Difusão em arquivos, governança arquivística, ações educativas

Resumo

Esta pesquisa tem como tema as ações educativas em arquivos, com ênfase nas experiências francesas e suas implicações para a governança arquivística. Justifica-se pela crescente valorização dos arquivos como instrumentos de preservação da memória, acesso à informação e fortalecimento da cidadania. Nesse contexto, as ações educativas tornam-se fundamentais para aproximar a sociedade dos acervos, promovendo engajamento, pertencimento e valorização cultural.

A problemática norteadora do estudo é: de que maneira as ações educativas desenvolvidas em arquivos franceses podem contribuir para o aprimoramento das políticas de gestão arquivística no Brasil? A hipótese central é que essas experiências podem oferecer subsídios relevantes para o fortalecimento da governança arquivística brasileira.

O objetivo geral da pesquisa é compreender o impacto das ações educativas na promoção do acesso e valorização dos acervos. Especificamente, busca-se: (1) analisar a natureza dessas ações e seu papel no acesso à documentação arquivística; (2) identificar práticas exemplares divulgadas em meios digitais por arquivos franceses; e (3) avaliar como essas iniciativas influenciam a conscientização da sociedade sobre a importância dos arquivos.

A articulação entre educação e governança arquivística é vista como estratégica para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à cidadania, à transparência e à memória social. Assim, os arquivos deixam de ser apenas repositórios e assumem papel ativo na formação crítica e cultural da população.

A fundamentação teórica do estudo parte de quatro eixos principais: governança arquivística (Germano, 2016), políticas públicas e gestão documental (Gonçalves, 2012), ações educativas (Silva & Barbosa, 2012), e teorias educacionais (Freire, 1997; Vygotsky, 1991). Tais referenciais sustentam a importância das práticas educativas como instrumentos de aproximação dos cidadãos aos acervos documentais, promovendo o acesso à informação, o senso crítico e a valorização da memória coletiva.

Autores como Schellenberg (2006) apontam que os arquivos ainda são pouco compreendidos socialmente, sendo vistos como espaços burocráticos ou meros depósitos de papéis. A função arquivística da difusão e das ações educativas ajuda a romper com essa visão limitada, utilizando atividades como visitas guiadas, exposições, oficinas e materiais didáticos para divulgar a relevância dos documentos e fortalecer o papel educativo dos arquivos (Gomes & Santos, 2023).

A governança arquivística é entendida aqui como o conjunto de práticas e políticas que asseguram a preservação, o acesso e a integridade dos documentos ao longo do tempo. Ela incorpora os arquivos à gestão institucional da informação, promovendo a transparência, a responsabilidade e a democratização do conhecimento. Nesse sentido, práticas educativas bem planejadas ampliam o uso social dos acervos, transformando os arquivos em espaços de aprendizagem e engajamento social.

A pesquisa também é orientada por fundamentos educacionais como a pedagogia crítica de Freire (1997) e o construtivismo social de Vygotsky (1991), que destacam a aprendizagem como processo interativo, colaborativo e socialmente situado. Assim, o uso educativo dos arquivos não deve ser passivo, mas sim participativo, estimulando o pensamento crítico e a autonomia dos sujeitos.

No Brasil, Cunha (2018) defende a urgência de práticas educativas inclusivas e sensíveis à diversidade cultural e social, enquanto o Conselho Nacional de Arquivos (Conarq, 2017) reforça o papel dessas ações como instrumentos de cidadania. Nesse cenário, a pesquisa propõe um olhar comparativo e adaptativo sobre as experiências francesas, com vistas à sua aplicabilidade no contexto brasileiro.

Metodologicamente, utiliza-se o método quadripolar, que articula quatro polos: epistemológico, teórico, técnico e morfológico (De Bruyne et al., 1991; Gouveia & Nogueira, 2021). No polo epistemológico, a pesquisa adota o paradigma pós-custodial, considerando os arquivos como agentes sociais ativos. No polo teórico, fundamenta-se em autores nacionais e internacionais que discutem arquivos, educação e políticas públicas. O polo técnico envolve a coleta de dados por meio de questionários digitais, aplicados aos responsáveis por arquivos identificados em levantamento inicial, além de análise documental de publicações e sites institucionais. Por fim, no polo morfológico serão sistematizados os resultados, com reflexões e proposições para a realidade brasileira.

A coleta de dados teve início com consultas digitais a sites e redes sociais institucionais, resultando na identificação de 19 arquivos a serem investigados. Os questionários serão aplicados por plataformas digitais, respeitando as limitações impostas pela ausência de visitas presenciais, mas mantendo o rigor metodológico. A análise dos dados permitirá identificar o grau de institucionalização das ações educativas, os públicos-alvo, metodologias utilizadas e os impactos percebidos por seus realizadores.

A revisão de literatura fornecerá suporte teórico para a análise dos dados empíricos, permitindo uma compreensão crítica sobre a função educativa dos arquivos. Espera-se que a pesquisa contribua com diretrizes para o fortalecimento das ações educativas nos arquivos públicos brasileiros, ampliando seu papel como espaços estratégicos de formação cidadã, acesso à informação e valorização da memória.

Como considerações parciais, entende-se que investir em ações educativas nos arquivos é essencial para ampliar a participação social e fomentar uma cultura de valorização da memória coletiva. A governança arquivística, ao assegurar a integridade e o acesso contínuo aos documentos, favorece o uso educativo dos acervos, transformando os arquivos em ambientes de diálogo entre passado e presente. Inspirada nas experiências francesas, esta pesquisa busca contribuir para um modelo arquivístico mais inclusivo, democrático e alinhado com os princípios da cidadania e da educação crítica.

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Publicado

2025-11-10

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Artigos