CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA
CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DA COMPLEXIDADE DE EDGAR MORIN
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6956Palavras-chave:
Inteligência Artificial Generativa, Teoria da complexidade, criatividadeResumo
A teoria da complexidade se distancia de explicações simplificadoras e dicotômicas, propõe uma análise que reconhece a dualidade e interdependência dos fenômenos (Morin, 2005). A Inteligência Artificial Generativa (IAGen), entendida como uma tecnologia de aprendizado profundo que gera conteúdo semelhante ao humano (Michel-Villarreal et al., 2023) em um campo da ciência que se concentra no estudo sobre a construção automatizada da inteligência (Salinas-Navarro et al., 2024) e está inserida dentro do contexto dos Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLM).
Esses modelos usam aprendizado de máquinas para gerar conteúdos e adotam técnicas de processamento de linguagem natural (NLP) capacitando os computadores a prever, interpretar e gerar textos. Esse novo fenômeno transforma como interagimos com máquinas (Baidoo-Anu & Owusu Ansah, 2023), e as relações entre homem/máquina/conhecimento levantam reflexões sobre como lidar com desafios pensando para/no humano, exemplificando a necessidade de um estudo que abrace a complexidade e incerteza.
A sociedade do conhecimento, conforme discutida por (Morin, 2008), é caracterizada por uma busca constante pela inovação e compreende a natureza multidimensional do conhecimento. Esta sociedade, impulsionada pelas tecnologias digitais e pela IAGen, enfrenta o desafio de integrar os avanços às necessidades humanas/sociais e, neste sentido, a inteligência artificial ao introduzir novas formas de interação e aprendizado, cria necessidades que exigem uma reflexão crítica sobre seu impacto atual e futuro, sobre/na produção e disseminação do conhecimento (Memarian & Doleck, 2023).
Este artigo possui uma abordagem qualitativa de natureza exploratória, se utiliza da pesquisa bibliográfica como um procedimento para a análise crítica da problemática e um estudo de caso sobre uma experiência de uso da inteligência artificial em uma oficina prática com alunos da graduação. O objetivo deste artigo é discutir em que medida o conhecimento, em tempos de inteligência artificial generativa, pode ser compreendido à luz da teoria da complexidade de Edgar Morin e articular teoria e prática que possam orientar as discussões sobre a IAGen na educação. Neste sentido, ao reconhecer a complexidade e a interdependência dos fenômenos (IAGen-Educação), é possível desenvolver abordagens pedagógicas colaborativas entre homem/máquina que aproveitem o potencial transformador da IAGen, promovendo uma educação que responda aos desafios contemporâneos de maneira integrada. Para exemplificar e trazer à prática possíveis utilizações da IA Gen na educação, apresenta-se uma experiência de atividade no formato de oficina, realizada com alunos da graduação em uma disciplina eletiva. A temática da disciplina é criatividade e os alunos são de diferentes cursos de graduação e o desafio foi integrar IA generativa e criatividade na construção do conhecimento.
Neste sentido, a teoria do pensamento complexo oferece um quadro teórico adequado para explorar as implicações da IAGen na educação por meio dos princípios dialógico, recursivo e hologramático propostos por Morin (2008), fornecem uma base para entender como a IAGen pode contribuir para o processo de construção do conhecimento articulando ações que viabilizem a interação. A dialógica reconhece as dualidades inerentes ao fenômeno, enquanto a recursividade que discute o que realmente está inserido no processo e a hologramia que destaca a interconexão entre partes e o todo.
O presente estudo apresenta no primeiro tópico uma discussão sobre a inteligência artificial generativa e o humano neste contexto, no segundo tópico sobre o conhecimento como fenômeno multidimensional, apresentado na obra O Método: conhecimento do conhecimento de Edgar Morin (2008), no terceiro tópico, enlaça o leitor nas entrelinhas do método no processo da pesquisa científica, e adentra posteriormente no último tópico, conectando os três princípios do pensamento complexo à IAGen.
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