DIRETRIZES DE PREPARAÇÃO PARA DISPONIBILIZAÇÃO E ACESSO DE OBJETOS DIGITAIS AUDIOVISUAIS EM PLATAFORMAS DIGITAIS
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6759Palavras-chave:
Acesso e difusão, plataforma digitalResumo
Os arquivos audiovisuais, sejam tais conjuntos analógicos ou digitais, são instrumentos fundamentais não apenas para o registro de informações orgânicas, mas também elementos centrais na construção, evocação e representação da memória institucional, no apoio a estratégias de resistência e valorização das memórias locais diante de ameaças ambientais e socioculturais (Edmondson, 2017). Isso implica compreender que os documentos audiovisuais, após cumprirem sua função probatória – ou seja, após deixarem de ser registros de atos administrativos, contratuais ou operacionais de uma organização, podem adquirir valores secundários, de pesquisa e informativos. Portanto, torna-se imprescindível pensar em estratégias arquivísticas que garantam sua permanência, assegurando o acesso no ambiente digital, de forma adequada. O problema de pesquisa proposto neste estudo pode ser sintetizado na seguinte questão: como preparar objetos digitais em formato de vídeo (audiovisual) dentro dos padrões arquivísticos para disponibilização e acesso em plataformas digitais? A partir dessa problematização, estabelece-se como objetivo geral abordar a preparação de objetos digitais em formato de vídeo para acesso em plataformas digitais, compreendendo essa preparação como um conjunto de procedimentos técnicos e conceituais alinhados aos princípios da arquivologia. A presente pesquisa possui natureza qualitativa e, quanto ao tipo, caracteriza-se como exploratória e descritiva.Como ferramenta para coletas de dados, foi utilizado questionário de pesquisa, com perguntas semi-abertas, visando coletar informações de instituições brasileiras que trabalham com a disponibilização e acesso de objetos digitais em formato de vídeo em suas plataformas de acesso. É necessário pontuar que o objetivo do formulário não é realizar uma análise comparativa, mas apenas coletar informações sobre o processo de preparação de objetos digitais em formato de vídeo. Dessa maneira, no dia 03 de julho de 2025, foi encaminhado via e-mail, grupos de WhatsApp, grupos de discussões, um questionário produzido no Google Forms, direcionado ao público de interesse: instituições que detêm acervos audiovisuais, profissionais e pesquisadores do audiovisual, da preservação, seja no âmbito arquivístico, cinematográfico, emissoras de televisão, para preenchimento até o dia 10 de julho do mesmo ano, com sete perguntas, a saber: 1- Informe o nome da sua instituição?2- Qual software é utilizado para o acesso do audiovisual?3- Quais extensões são usadas para o acesso do audiovisual?4- Os documentos audiovisuais disponibilizados pelo software estão em alta ou baixa resolução?5- Qual o padrão dos metadados utilizados para a descrição do audiovisual?6- Quais foram os parâmetros teóricos para definição do uso das extensões e metadados? 7- A instituição possui vocabulário controlado? Das instituições selecionadas para pesquisa, apenas duas responderam às perguntas, porém optou-se por não as identificar, sendo nomeadas como instituição A e B. Esta decisão visa não comprometer a instituição durante a análise dos dados e procedimentos de acesso do acervo, promovendo a discussão sobre o tema proposto nesta pesquisa de preparação e disponibilização dos objetos digitais em formato de vídeo. Como resultados alcançados, mediante a aplicação do formulário de pesquisa e as reflexões teóricas, obtivemos os seguintes resultados que convergem com a proposta desta pesquisa. A instituição A apresentou um detalhamento em relação aos procedimentos e fundamentos para preparação para promover o acesso em repositório digital, utilizando o Digital Space (DSPACE, software livre e de código aberto), conhecido como Repositório ARCA e o Banco de Recursos Audiovisuais em Saúde (BRAVS). Para o acesso aos objetos digitais em formato de vídeo utilizados, a extensão em H264 é um padrão de compressão de vídeo de alta qualidade e considerada a matriz, já a extensão em MP4 é a compressão do vídeo, reduzindo a qualidade, considerada uma derivada de acesso, sendo usada para acesso online em plataformas. A respeito da disponibilização dos objetos digitais para visualização na plataforma digital, aderiram ao arquivo em baixa resolução e para disponibilização (download) é em alta resolução.Em relação aos metadados para descrição dos objetos digitais em formato de vídeo, é o Dublin Core, complementado pelo padrão Encoded Archival Description (EAD), utilizado para a codificação de instrumentos de descrição documental arquivística, ou seja, um padrão para inventário de arquivos. Os parâmetros para preparação dos objetos digitais em formato de vídeo na plataforma de acesso seguem a Norma ISO 14721:2012, que define o modelo de referência para um sistema de informação arquivística aberto OAIS (Open Archival Information System). E, por fim, a instituição A possui vocabulário controlado. A instituição B faz uso do repositório digital Visualization in Real-Time ou Visual Artist (VIZRT, código fechado-proprietário), que atua na produção, gerenciamento e distribuição de empresas de mídia digital, portanto, utilizado por empresas privadas. A extensão Material Exchange Format (MXF) é um padrão de vídeo usado em produção profissional, considerado um arquivo de alta qualidade. Já a definição dos metadados para descrição dos documentos audiovisuais está em fase de estudo para padronização. Em relação aos parâmetros teóricos, mencionam que fazem uso dos princípios arquivísticos e do uso cotidiano, além disso possuem vocabulário controlado. Este trabalho destacou a importância da preparação dos objetos digitais em formato de vídeo, visando sua inserção em plataformas digitais de acesso. Destacamos que a preparação e disponibilização de objetos digitais em plataformas digitais requer diretrizes que contemplem tanto o aspecto técnico, quanto os princípios arquivísticos, incluindo o acesso aos objetos digitais em formato de vídeo. Observa-se o uso de plataformas para acesso ao acervo nas instituições estudadas, buscando os padrões estabelecidos pela Arquivística, seguindo as normas e padrões para plataformas digitais.
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