DESINFORMAÇÃO E JOVENS
UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO DE POUCO MAIS DE UM SÉCULO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA: 1920 A 2024
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6727Palavras-chave:
jovens, desinformação, estudo bibliométrico, juventude, educação midiática, educação em informaçãoResumo
O fenômeno da desinformação tem impactado os indivíduos e a vida em sociedade, com ataques às universidades e à ciência, o que ameaça o sistema democrático (Ribeiro, 2024). A apreensão com as consequências das informações falsas on-line está presente no cotidiano das pessoas em todo o mundo. Um estudo com entrevistados de 142 países revelou que 58,5% dos usuários regulares de internet e mídias sociais estão preocupados com as informações falsas on-line. Entre eles, os jovens e pessoas de baixa renda sentem-se mais vulneráveis (Nações Unidas, 2024). Desse modo, considera-se relevante analisar a produção científica ao longo do tempo que aborda a relação entre desinformação e jovens, sobretudo por este público representar um dos segmentos da população mais assíduos nos ambientes digitais e expostos aos riscos on-line (Nações Unidas, 2024). Assim, a problemática da pesquisa relaciona-se com a atenção presente nos trabalhos acadêmicos no período de, pelo menos, um século, com foco na desinformação e no público jovem. O recorte temporal dessa investigação foi definido a partir dos resultados mais antigos recuperados pela base de dados eleita. O problema de pesquisa foi então assim definido: a produção científica internacional tem se debruçado sobre estudos que contemplam os jovens e a desinformação? A partir dessa questão, definiu-se como objetivo geral deste artigo realizar um estudo bibliométrico das publicações acadêmicas que abordam o tema da desinformação e os jovens no período de 1920 a 2024. Para alcançar esse propósito, foram estabelecidos três objetivos específicos: a) identificar na literatura artigos que relacionam o tema da desinformação e os jovens no período mencionado; b) analisar a colaboração entre países nas produções mapeadas; e c) análise das palavras-chaves. Este artigo tem caráter exploratório e descritivo e propõe-se a realizar uma análise dos resultados do levantamento a partir de uma perspectiva bibliométrica. A análise bibliométrica confirma que a preocupação de pesquisadores com a disseminação de informações falsas é antiga, mas os conceitos relacionados foram sendo atualizados, acompanhando o aumento da complexidade do fenômeno, incorporando, assim, os conceitos de desinformação e fake news, além de ampliar as abordagens para a educação midiática. A área da saúde, no entanto, segue predominando em termos de produção científica durante todo o período analisado. Localizaram-se 2.352 documentos, publicados em 1.413 periódicos, evidenciando abertura para o tema em um amplo universo de fontes. Do total de artigos identificados, 62% deles são assinados por pelo menos dois autores, mas apenas 13,39% com coautoria internacional. Os Estados Unidos são o principal polo de produção e colaboração científica internacional, mantendo produção conjunta, principalmente, com países da Europa, da Ásia e da Oceania. A Europa Ocidental, por sua vez, também se destaca em termos de interconexões entre si, sendo representada, especialmente, por Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha. Percebe-se, portanto, oportunidades a serem exploradas em termos de redes de pesquisa que contemplem outras regiões do mundo, de modo a contribuírem para uma compreensão mais ampla, diversa e profunda do fenômeno desinformação em relação às juventudes das diferentes partes do mundo. Vale lembrar que as populações mais vulneráveis sofrem os maiores impactos da desinformação e, portanto, precisam ser apoiadas; assim como as particularidades do fenômeno devem ser compreendidas. Da mesma forma que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (2024b) realça a necessidade de soluções colaborativas entre governos para melhorar as políticas de enfrentamento aos problemas da desinformação, as alianças entre instituições acadêmicas e pesquisadores também precisam ser prioridade para compreender e contribuir com a prevenção e o combate às ameaças de desinformação.
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