MONITORAMENTO DE INFORMAÇÃO E ANÁLISE DE SENTIMENTO DE MARCAS NAS MÍDIAS SOCIAIS NO CONTEXTO LUSO-BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6670Palavras-chave:
Análise de sentimento, Mídias sociais, monitoramento de informação, gestão da informaçãoResumo
O avanço das tecnologias digitais e a popularização das mídias sociais transformaram profundamente a forma como marcas interagem com o público, tornando essencial a gestão estratégica da informação nesse ambiente. Este estudo teve como objetivo analisar a produção científica relacionada à análise de sentimento de marcas nas mídias sociais, com ênfase no contexto luso-brasileiro. Procurou-se traçar um panorama sobre o volume de publicações, principais setores de aplicação, objetivos perseguidos, benefícios alcançados e obstáculos enfrentados pelas organizações.
A pesquisa adotou uma abordagem exploratória-descritiva e de natureza quali-quantitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) na base Scopus, seguindo o protocolo de Dresch, Lacerda e Antunes Jr. (2015). Os critérios de inclusão focaram em publicações entre 2008 e 2024, nos idiomas português e inglês, relacionadas à análise de sentimento em mídias sociais no contexto luso-brasileiro.
A busca resultou em 14.929 documentos, dos quais, após a aplicação dos critérios de exclusão, 356 estudos foram analisados. Os resultados mostraram um crescimento expressivo na produção científica sobre o tema, especialmente entre 2018 e 2022, embora Portugal e Brasil apresentem oscilações no ritmo de publicações. No ranking global, Índia, Estados Unidos e China lideram a produção sobre análise de sentimento, enquanto Brasil e Portugal ocupam posições intermediárias, com 254 e 129 publicações, respectivamente.
As publicações analisadas estão majoritariamente concentradas nas áreas de Ciência da Computação e Engenharia, mas também abrangem campos como Negócios, Ciências Sociais e Medicina, evidenciando a crescente interdisciplinaridade da análise de sentimento. Entre os principais objetivos dos estudos destacaram-se: avaliar a percepção e reputação de marcas (57 trabalhos), apoiar estratégias de marketing (25), detectar riscos à saúde (23) e prever comportamentos de consumo ou eleitorais (16).
Os benefícios obtidos com a análise de sentimento foram diversos: melhor compreensão do comportamento do público (44 estudos), apoio à gestão da imagem e reputação (30), resposta mais eficaz a crises (22) e antecipação de tendências de mercado (17). Estes resultados evidenciam a utilidade da técnica como ferramenta estratégica para organizações que buscam aprimorar sua competitividade e capacidade de resposta no ambiente digital.
Por outro lado, os principais desafios enfrentados pelas empresas incluem a dificuldade de interpretar ironia e sarcasmo (23 estudos), baixa qualidade ou ruído nos dados (25) e problemas de representatividade amostral (20). Esses obstáculos técnicos e metodológicos reforçam a necessidade de combinar ferramentas automatizadas com a análise humana para garantir maior precisão.
As considerações finais apontam que a análise de sentimento não é uma técnica isolada, mas sim uma aplicação concreta dos princípios da gestão da informação no contexto digital. Ao transformar dados não estruturados em insights estratégicos, ela apoia diretamente a tomada de decisões organizacionais. Apesar do avanço da produção científica no Brasil e Portugal, o estudo reconhece limitações como o foco geográfico restrito, o uso de uma única base de dados (Scopus) e a ausência de detalhamento sobre as tecnologias específicas empregadas nos estudos analisados.
Para pesquisas futuras, recomenda-se expandir o escopo para incluir outros países e bases de dados, bem como aprofundar a investigação sobre as ferramentas e algoritmos utilizados. Também se sugere explorar aplicações práticas da análise de sentimento em setores ainda pouco estudados, ampliando as fronteiras do conhecimento nesta área em ascensão.
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