CICLO DO CONHECIMENTO E AS TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS

PROJETO BIBLIOTIC

Autores

  • Vanessa Marie Salm
  • Dayane Dornelles
  • Letícia Lazzari
  • Orestes Trevisol Neto

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6659

Palavras-chave:

Gestão do Conhecimento, Biblioteconomia, Tecnologias emergentes na Ciência da Informação, Capacitação profissional, Formação de bibliotecários

Resumo

Gestão do Conhecimento (GC) consolidou-se como uma prioridade estratégica para organizações que buscam aprimorar processos de criação, compartilhamento e uso de informações em ambientes marcados por rápidas transformações. No contexto das bibliotecas universitárias, a GC assume papel central diante dos desafios impostos pela democratização do acesso à informação, incorporação de tecnologias emergentes e adaptação às demandas de uma comunidade usuária cada vez mais heterogênea e digitalizada (Domenico et al., 2021). As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) têm impactado significativamente a atuação dos bibliotecários, exigindo atualização constante de competências e habilidades (Amaro, 2018). Assim, torna-se fundamental que profissionais e estudantes de Biblioteconomia adotem postura proativa frente às inovações, participando de capacitações e programas de formação continuada (Nepali & Tamang, 2022). Neste cenário, o projeto de extensão Bibliotic, desenvolvido pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), foi criado com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre tendências tecnológicas na Biblioteconomia, promovendo a formação de profissionais e acadêmicos da área. O projeto se estruturou a partir da realização de webinars transmitidos pelo canal da Biblioteca Universitária (BU) da UDESC no YouTube, abordando temas como Big Data, Ciência Aberta, Gestão de Dados, Repositórios Digitais e princípios FAIR. A presente pesquisa tem como objetivo analisar a efetividade do projeto Bibliotic sob a perspectiva do ciclo do conhecimento - identificar, criar, armazenar, compartilhar e usar -, avaliando sua contribuição para a capacitação em novas tendências tecnológicas no campo da Biblioteconomia. O contexto atual da Biblioteconomia é marcado pela rápida adoção de tecnologias como computação em nuvem, Big Data, Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e Ciência Aberta (Ferreira, 2016; Barsha & Munshi, 2024; Amaral et al., 2020). Essas inovações exigem dos profissionais novas competências e a capacidade de adaptar práticas tradicionais à realidade digital, promovendo a disseminação e preservação do conhecimento acadêmico (Ogungbeni et al., 2018). A pesquisa adotou abordagem de métodos mistos, coletando e analisando dados qualitativos e quantitativos (Creswell, 2007). Classificada como exploratória e prática (Vergara, 1990), caracteriza-se como estudo de caso (Yin, 2015), tendo como universo os participantes dos webinars do projeto Bibliotic - comunidade acadêmica, profissionais de Biblioteconomia e público geral interessado em tendências tecnológicas. A definição dos temas dos webinars baseou-se em pesquisa bibliográfica em plataformas como Google Acadêmico, complementada por consultas a especialistas de instituições parceiras (UFSC, IBICT, CIASC). A avaliação dos webinars foi realizada por meio de questionário online aplicado aos participantes, contendo questões abertas e fechadas sobre didática, compreensão do conteúdo e espaço para sugestões e elogios. Dados quantitativos sobre participação e visualizações foram coletados no canal do YouTube da BU/UDESC, em dois momentos: dezembro de 2023 (encerramento do projeto) e maio de 2024 (elaboração do artigo). A análise dos dados seguiu abordagem mista: análise de conteúdo das respostas qualitativas (Bardin, 2011), categorizadas conforme as etapas do ciclo do conhecimento, e análise quantitativa dos dados de participação e visualização. A análise dos resultados do projeto Bibliotic, à luz do ciclo do conhecimento, evidencia sua efetividade em cada etapa. Identificação do conhecimento: A seleção dos temas dos webinars foi fundamentada em lacunas estratégicas identificadas na literatura acadêmica e validadas por especialistas, garantindo alinhamento às necessidades emergentes da Biblioteconomia. Temas como Big Data, Ciência Aberta e Gestão de Dados foram escolhidos por sua relevância e impacto direto na atuação dos profissionais da área (Reis & Da Fonseca, 2020; Tartarotti et al., 2019). Criação do conhecimento: Os webinars proporcionaram ambiente favorável à conversão de conhecimento tácito (experiência dos palestrantes) em explícito (conteúdo estruturado). A interação ao vivo, com 264 participantes, gerou perguntas e discussões que enriqueceram o processo de aprendizagem. O feedback dos participantes destacou a clareza e utilidade dos conteúdos, evidenciando a construção coletiva do conhecimento. Armazenamento do conhecimento: Os webinars foram gravados e disponibilizados no canal do YouTube da BU/UDESC, assegurando acesso permanente e institucionalização do conhecimento. O vídeo “Plataformas de Ciência Aberta” atingiu 1.806 visualizações até dezembro de 2023, demonstrando o potencial do repositório digital para preservar e disseminar conteúdos relevantes (Firestone, 2003; Wiig, 1993). Compartilhamento do conhecimento: O projeto alcançou participantes de diferentes regiões do Brasil, incluindo profissionais de instituições como USP, Unicamp e UFRGS. O aumento de 1.542 visualizações após as transmissões ao vivo evidencia a eficácia do YouTube como plataforma de disseminação e a capacidade do projeto de transcender fronteiras institucionais (Ruggles, 2009). Uso do conhecimento: Os participantes manifestaram interesse em aprofundar conhecimentos sobre tendências tecnológicas, mencionando conceitos como Plano de Gestão de Dados (PGD) e Repositórios FAIR. As respostas indicam internalização e aplicação prática do conhecimento, fundamentais para a transformação das bibliotecas em núcleos de inovação (Alavi & Leidner, 2001). O projeto Bibliotic demonstrou aderência plena ao ciclo do conhecimento, promovendo a identificação, criação, armazenamento, compartilhamento e uso do conhecimento sobre tendências tecnológicas em Biblioteconomia. O alinhamento dos temas às demandas do campo, a participação ativa de especialistas e público, a adoção de estratégias digitais para preservação e disseminação e a apropriação prática do conhecimento pelos participantes evidenciam a efetividade da iniciativa. A experiência reforça a importância de ações extensionistas que integrem teoria e prática, promovam colaboração interinstitucional e utilizem tecnologias digitais para ampliar o alcance e o impacto das iniciativas de formação. Recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a análise do impacto de projetos semelhantes em outros contextos e explorem estratégias inovadoras para potencializar a gestão do conhecimento em Biblioteconomia, contribuindo para o fortalecimento da profissão e para a promoção de uma cultura de aprendizagem contínua e colaborativa.

Publicado

2026-01-13

Edição

Secção

Artigos