COMPETÊNCIA CRÍTICA EM INFORMAÇÃO COMO AÇÃO DECOLONIZADORA:
REFLEXÕES TEÓRICO-CONCEITUAIS NO CONTEXTO DOS POVOS ORIGINÁRIOS BRASILEIROS
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6653Palavras-chave:
colonialidade, decolonialidade, competência crítica em informação, epistemologias indígenas, justiça cognitivaResumo
A história do Brasil é atravessada por relações de poder oriundas do colonialismo. Sua permanência é observada nas estruturas moderno-coloniais que ainda marginalizam os povos originários e afrodescendentes nos tempos contemporâneos. A colonialidade do poder, do saber e do ser impõe hierarquias que silenciam epistemologias subalternizando e deslegitimando modos de vida não hegemônicos. Essa lógica operou e ainda opera por meio de práticas de silenciamento, apagamento e subordinação desses povos, desautorizando suas formas de vida, espiritualidades e sistemas de conhecimento. Em resposta a esse cenário, emergem movimentos de resistência voltados à superação das opressões históricas. Neste contexto, a competência crítica em informação (critical information literacy), configura-se como um instrumento estratégico de resistência e reexistência, ao capacitar sujeitos para o questionamento das estruturas informacionais que sustentam desigualdades sociais e epistêmicas. A pesquisa objetiva compreender como a competência crítica em informação pode atuar como ação decolonizadora no contexto de uma comunidade indígena da região Norte do Brasil. Quanto os procedimentos metodológicos, a pesquisa é de cunho descritivo-explicativa com abordagem qualitativa. O trabalho integra uma pesquisa de doutorado em andamento, centrada na análise da competência crítica em informação no contexto de uma comunidade indígena situada na região Norte do Brasil. Os resultados mostram que mais do que um conjunto de habilidades técnicas, essa competência promove a problematização crítica da informação, evidenciando disputas ideológicas, discriminações e conflitos de classe, e contribuindo para a transformação social. A investigação reconhece os povos originários como sujeitos epistêmicos capazes de construir conhecimentos próprios a partir de suas experiências, cosmologias e relações com o território. Essa competência, assumida como prática decolonizadora, abre caminhos para um projeto de sociedade mais plural, democrático e sensível às diferenças. Um projeto no qual a informação não seja apenas um instrumento de controle e de normatização, mas, sobretudo, um meio de emancipação, de reexistência e de justiça cognitiva.
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.