Um Banco de Dados de coleções etnográficas brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6649Palavras-chave:
Banco de dados, Coleções etnográficas, interoperabilidade, Patrimonio culturalResumo
Este trabalho apresenta a concepção, modelagem e implementação de um banco de dados digital (BD) do projeto Mapeamento das Coleções Etnográficas no Brasil, coordenado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil. O objetivo é construir um BD público e interoperável que reúna informações sobre acervos etnográficos dispersos em instituições e iniciativas culturais brasileiras, promovendo acesso, pesquisa e valorização do patrimônio. O BD é compreendido como recurso estratégico para armazenar, organizar e recuperar informações de forma estruturada, contextualizada e semanticamente tratada. O projeto se fundamenta na Ciência da Informação, com ênfase em metadados, interoperabilidade, normalização, vocabulário controlado e recuperação informacional, dialogando com abordagens das Humanidades Digitais e antropológicas voltadas à decolonialidade, representação comunitária e respeito aos contextos culturais. A metodologia adotada foi qualitativa, exploratória e documental, articulando uma rede nacional de articuladores regionais responsáveis pelo mapeamento em campo. O desenvolvimento do BD envolveu quatro fases principais: análise dos requisitos e objetivos; organização dos dados por meio do Formulário A (F1); modelagem relacional com definição das chaves primárias; e normalização terminológica. O BD foi estruturado em ferramentas livres como MySQL e Tainacan, garantindo flexibilidade, padronização e compatibilidade com a lógica relacional em SQL. O repositório está disponível em https://colecoesetnograficas.uff.br, com funcionalidades de busca por palavras-chave, filtros taxonômicos, geolocalização e visualização de registros por tipologia e suporte. A estrutura do BD contempla 36 campos normalizados, derivados do F1, convertidos em chaves primárias, com respectivos metadados e relações. A plataforma foi projetada para atender públicos diversos (profissionais, estudantes, acadêmicos e comunidades representadas) e conta com materiais didáticos, glossário e biblioteca virtual. Entre os desafios enfrentados estão a necessidade de convergência entre linguagem natural e linguagem técnica, bem como a criação de uma estrutura semântica que respeite a diversidade cultural dos acervos. Além do papel científico e técnico, o projeto cumpre função social ao democratizar o acesso à informação e fortalecer práticas participativas e colaborativas de preservação. A experiência contribui para os campos da Museologia, Antropologia e Ciência da Informação, evidenciando como os BD podem ser instrumentos éticos e eficazes na gestão do patrimônio cultural.
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