INFORMAÇÃO E MEMÓRIA

NARRATIVAS EM BIBLIOTECAS PÚBLICAS, REFLEXÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS E FORMAÇÃO

Autores

  • Daniele Achilles Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6636

Palavras-chave:

Informação e Memória, Bibliotecas Públicas, Narrativas

Resumo

As bibliotecas públicas desempenham um papel essencial na preservação e promoção da cultura e na manutenção da memória coletiva de uma sociedade. Desse modo, trabalhar com narrativas e reconhecer suas potencialidadesenquanto ferramentas valiosas para o registro e compartilhamento das experiências e vivências das comunidades, contribui para a constatação das diferenças que compõem as identidades sociais. Essa pesquisa é resultado parcial do Projeto de Extensão “Comunidade de Práticas em Bibliotecas Públicas: trajetórias teórico-práticas para a construção das narrativas históricas, identitárias e de memória das bibliotecas populares junto às comunidades do Município de Niterói–RJ”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Busca fortalecer a relação entre as bibliotecas e comunidades, promovendo a valorização das histórias locais, fomentando a construção de narrativas que reforcem a identidade coletiva junto às instituições. Nos últimos anos, o desenvolvimento de projetos de pesquisa-extensionista tem crescido no Brasil, especialmente aqueles que incentivam a coleta de dados junto às comunidades em situação de vulnerabilidade social. A utilização da história oral aplicada tem se mostrado uma estratégia eficaz para afirmar o ethos comunitário por meio das narrativas de memória, revelando elementos e aspectos que estão presentes nos vínculos entre as instituições e as comunidades atendidas. Essa abordagem permite uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas sociais, culturais e identitárias, contribuindo para o fortalecimento do senso de pertencimento e valorização das experiências locais para a construção de identidades. Contudo, a aplicação da história oral aplicada enfrenta desafios (a escassez de recursos, a necessidade de capacitação especializada, resistência de alguns grupos em compartilhar suas histórias, experiências e vivências, por exemplo). Fatores influem na realização de entrevistas e coleta de narrativas, exigindo estratégias específicas para superar tais barreiras. O problema que orienta a pesquisa é: Como são elaboradas formações com vistas nas trajetórias metodológicas que fundamentam o percurso teórico-prático na construção de narrativas históricas, identitárias e de memória das bibliotecas populares do município de Niterói–RJ? Essa reflexão suscita uma questão secundária: qual é a importância das narrativas de memória na atualidade, especialmente no contexto das bibliotecas públicas? O objetivo geral é apresentar um ensaio acadêmico com reflexões teórico-metodológicas sobre informação e narrativas em bibliotecas públicas, destacando a impotância de processos formativos, com o Protocolo Comunidade de Práticas em Bibliotecas Públicas (COPB). Os objetivos específicos são: discutir o conceito de memória e experiência; refletir sobre os sentidos da narração em Benjamin e Han; articular argumentos teóricos-metodológicos unindo os procedimentos técnicos utilizados na pesquisa-extensionista. A pesquisa se justifica por trabalhar componentes que alinham informação, memória, narrativa, analisadas pelo Protocolo COPB, considerando a história oral aplicada às práticas informacionais. Esse movimento teórico fortalece a interação dialógica entre o campo da Memória Social e da Ciência da Informação. A presente pesquisa extensionista tem como foco investigar de que maneira os registros das experiências e vivências, por meio da aplicação do Protocolo Comunidade de Práticas em Bibliotecas Públicas (COPB) – História Oral Aplicada, podem promover novas formas de compreensão, formação e posicionamento das bibliotecas públicas. Foi necessário também desenvolver uma Política de Memória para as bibliotecas. O modelo teórico-metodológico desenvolvido com base no conceito de Comunidade de Práticas de Wenger (1998; 2002; 2010); Snyder, Wenger e Sousa Briggs (2003); Wenger, McDermott e Snyder (2002). O conceito de COP, aliado à perspectiva das práticas informacionais, destacam-se: Savolainen (1995), Cox (2008), Isah (2012), Harlan (2012), Gandra (2017) e Tanus, Berti e Rocha (2022). Dessa forma, o texto completo abordará: fundamentação teórica, metodologia; os elementos que compõem as relfexões teórico-metodológicas e considerações possíveis decorrentes do estudo. A fundamentação teórica estrutura-se nas seguintes concepções: a) a Memória como campo transdisciplinar e como fenômeno social; b) a Memória em seu sentido produtivo; c) a Memória como experiências, vivências e criação de si; d) a Memória como história oral.  Para alicerçar as discussões e reflexões foi necessário utilizar essas quatro marcações que delimitam um dos recortes presentes no aporte teórico da pesquisa extensionista como um todo. O quadro teórico apresenta as perspectivas sobre a memória de Jô Gondar (2005); Gilles Deleuze (1997;1999); Melo (2015); Deleuze e Guattari (2010); as perspectivas sobre narração expostas na obra de Walter Benjamin (2012) e Byung-Chul Han (2023); as indicações sobre história oral aplicada enfatizada por Meihy e Seawright (2021). As reflexões apresentadas ao longo desta pesquisa evidenciam a importância de compreender as bibliotecas públicas como espaços vivos de construção e mediação de memórias, identidades e saberes coletivos. Ao se articular teoria e prática por meio do Protocolo Comunidade de Práticas em Bibliotecas Públicas (COPB), sustentado pela história oral aplicada, foi possível evidenciar que as narrativas locais são não apenas formas de registro do passado, mas também instrumentos potentes de afirmação cultural, pertencimento e engajamento comunitário. Contudo, o estudo também revelou desafios importantes, como a necessidade de recursos, formação continuada e sensibilidade metodológica para lidar com as complexidades inerentes às memórias coletivas. Superar tais entraves demanda compromisso político e ético por parte das instituições e profissionais envolvidos. Em suma, este trabalho reafirma o papel estratégico das bibliotecas públicas na construção de narrativas sociais e na preservação de memórias que resistem ao apagamento. Fortalecer essas práticas, sobretudo em territórios marcados por desigualdades, é um passo fundamental para consolidar políticas públicas de memória, leitura e informação mais inclusivas, dialógicas e comprometidas com as realidades locais.

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Publicado

2026-01-13

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Artigos