Mapeando Bangla Town e Bondukdwip: Um Estudo das Dinâmicas EspácioPsicológicas em Brick Lane e Gun Island

Autores

  • Sarani Ghosal Mondal National Institute of Technology of Goa, Índia

DOI:

https://doi.org/10.34630/e-rei.vi14.7424

Palavras-chave:

Espaço/Gueto, Territorialização, Montagem, Desejo, Geopolítica

Resumo

Monica Ali, em Brick Lane (2003), e Amitav Ghosh, em Gun Island (2019), centram-se no tema da migração, particularmente de bengalis do sul de Bengala, na Índia, e de bengaleses de Bangladesh em busca de uma vida melhor. Em Gun Island, a migração é impulsionada pelas mudanças climáticas e pela precariedade econômica. A inabitabilidade induzida pelo clima na região dos Sundarbans e a pobreza extrema encorajam os bengaleses de Bangladesh a migrar para Veneza, de forma legal ou ilegal. Já em Brick Lane, trata-se de uma migração legal a partir de Bangladesh. Os migrantes desterritorializados provenientes desses dois contextos formam um ambiente imprevisível de trabalho global. Tanto Bangla Town, em Brick Lane, no leste de Londres, quanto o gueto de Veneza (representado como Bondukdwip) funcionam como espaços de conforto para os migrantes. Ambos os textos examinam os fenômenos do deslocamento, da guetização e da (re)territorialização, bem como os riscos e oportunidades a eles associados. A migração também se cruza com conflitos geopolíticos. De modo interessante, o gueto de Veneza e Brick Lane constituem paisagens de desejo, abrindo-se a múltiplas possibilidades de autoatualização a partir das perspetivas de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o que transforma o lugar em espaço. Esses dois espaços funcionam como agenciamentos territoriais, nos quais língua, alimentação, parentesco e memórias compartilhadas reconstroem um sentido de pertencimento. Esses enclaves não são meramente zonas de confinamento; são espaços produtivos de significado, comunidade e sobrevivência. Os bairros guetizados tornam-se territórios menores (no sentido de Deleuze e Guattari), moldados pelas práticas coletivas dos migrantes, e não apenas pelas estruturas dominantes do Estado ou do capitalismo. Assim, esses espaços contestados ampliam a matriz das dinâmicas espaço-psicológicas. Considerando todas essas dimensões, neste artigo pretendo empregar a teoria do espaço de Henri Lefebvre, juntamente com os conceitos de agenciamento, territorialização e geopolítica, para iniciar uma discussão sobre como os estudiosos podem abordar esse fenômeno global disseminado de (re)territorialização dos espaços urbanos e superar as dinâmicas de fixidez e não-fixidez espacial, de modo a imaginar uma unidade humana em um mundo globalizado para além de todas as forças separatistas.         

Referências

Alexander, C., Firoz, S., & Rashid, N. (n.d.). The Bengali diaspora in Britain: A review of the literature. https://www.banglastories.org/uploads/Literature_review.pdf

Brick Lane. (2003). Brick Lane. Doubleday.

Brouillette, S. (2009). Literature and gentrification on Brick Lane. Criticism, 51(3), 425–449. https://www.jstor.org/stable/23131523

Debenedetti-Stow, S. (1992). The etymology of “ghetto”: New evidence from Rome. Jewish History, 6(1–2), 79–85. https://www.jstor.org/stable/20101121

Debrix, F. (1998). Deterritorialised territories, borderless borders: The new geography of international medical assistance. Third World Quarterly, 19(5), 827–846. https://www.jstor.org/stable/3992933

Gao, J. (2013). Deleuze’s conception of desire. Deleuze Studies, 7(3), 406–420. https://www.jstor.org/stable/i40231320

Gun Island. (2019). Gun Island. Penguin.

Ghosh, A. (2026). Wild fictions essays. Fourth Estate.

Hagan, C. B. (1942). Geopolitics. The Journal of Politics, 4(4), 478–490. https://doi.org/10.2307/2125217

Kaithwar, R. (2025). Territorialisation, deterritorialisation and power in democratic assemblages. Theoria, 72(2), 24–38.

Martin, D. C. (2017). Community. In M. Jayne & K. Ward (Eds.), Urban theory: New critical perspectives (pp. 74–83). Routledge.

Molotch, H. (1993). The space of Lefebvre: The production of space by Henri Lefebvre and Donald Nicholson Smith. Theory and Society, 22(6), 887–895. http://www.jstor.org/stable/658004

Nail, T. (2017). What is an assemblage? SubStance, 46(1), 21–37. https://www.jstor.org/stable/26451291

Naipaul, V. S. (2007). A writer’s people: Ways of looking and feeling. Picador.

Pérez Fernández, I. (2009). Representing third spaces, fluid identities and contested spaces in contemporary British literature / Representando terceros-espacios e identidades fluidas en la literatura británica contemporánea. Atlantis, 31(2), 143–160. https://www.jstor.org/stable/41055369

Schmidt, G. (2022). What is in a word? An exploration of the concept of “the ghetto” in Danish media and politics, 1850–2018. Nordic Journal of Migration Research, 12(3), 310–325. https://www.jstor.org/stable/48711598

Sen, A. (2005). The argumentative India: Writings on Indian culture, history and identity. Penguin.

Wilson, H. F. (2017). Encounter. In M. Jayne & K. Ward (Eds.), Urban theory: New critical perspectives (pp. 109–121). Routledge

Yu, J. E. (2013). The use of Deleuze's theory of assemblage for process-oriented methodology. Historical Social Research / Historische Sozialforschung, 38(2), 197–217. https://www.jstor.org/stable/24145482

Downloads

Publicado

2026-07-15

Como Citar

Mondal, S. G. (2026). Mapeando Bangla Town e Bondukdwip: Um Estudo das Dinâmicas EspácioPsicológicas em Brick Lane e Gun Island. E- Revista De Estudos Interculturais , (14). https://doi.org/10.34630/e-rei.vi14.7424

Edição

Secção

Artigos