Negar um estatuto periférico e reivindicar um papel na Nação: palavras sagradas e práticas rituais na identidade de Timor-Leste

Autores

  • Lúcio Sousa Universidade Aberta | IELT (NOVA-FCSH)

DOI:

https://doi.org/10.34630/erei.vi10.4756

Palavras-chave:

palavras sagradas, rituais, legitimidde, comunidade, identidade

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir o papel do adat - um termo do bahasa indonésio, que continua a ser usado em Timor-Leste após o período de ocupação indonésia - e a sua contribuição para a construção da nação a partir do ponto de vista nas comunidades locais em Timor-Leste (perspetiva émica). Neste contexto, adat refere-se ao termo recorrente utilizado por timorenses para designar a crença e a prática do culto religioso relativamente aos seus antepassados, às suas casas e rituais sagrados, bem como às pessoas que realizam ou têm uma tarefa neste sistema. Em certos contextos, adat é equiparado a tradisaun e costume; o velho termo português estilu ou cultura também é usado, sendo aludido por muitos em relação às suas práticas:
“ita nia kultura, ita nia tradisaun” – a nossa cultura, a nossa tradição. As dimensões de adat selecionadas para trabalhar neste artigo dizem respeito a práticas rituais comunitárias e narrativas orais.
As práticas rituais comunitárias são uma oportunidade excecional para analisar como a
ideologia e a prática de identidade são trabalhadas pelos atores locais, nomeadamente os
lia na’in - senhores da palavra, designadamente através de narrativas de origem que servem de paradigma de identidade e negação da posição periférica que lhes é frequentemente atribuída na perspetiva de um centro hegemónico, que destitui de processo histórico as entidades locais.
As práticas rituais comunitárias são importantes como herança cultural, mas também como marcadores sociais e rituais de distinção e identidade. Todavia, afigura-se que o seu valor como ferramenta de “construção nacional” é relegado à esfera do folclore e usado em tempos específicos da agenda do Estado ou da Igreja, legitimando, acima de tudo, essas duas entidades. No entanto, para as comunidades locais, as práticas rituais são vistas como recursos não apenas em contextos locais, mas também para a nação.

Biografia Autor

Lúcio Sousa, Universidade Aberta | IELT (NOVA-FCSH)

Antropólogo, Professor Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta. Investigador do IELT- Instituto de Estudos de Literatura e Tradição –Patrimónios, Artes e Culturas (NOVA-FCSH)

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Publicado

2022-07:-01

Como Citar

Sousa, L. (2022). Negar um estatuto periférico e reivindicar um papel na Nação: palavras sagradas e práticas rituais na identidade de Timor-Leste. E- Revista De Estudos Interculturais, (10). https://doi.org/10.34630/erei.vi10.4756

Edição

Secção

Artigos