Hipercolesterolemia: revisão de conceitos e orientações

Autores

  • Adriana Ribeiro Escola Superior de Saúde, Porto, Portugal
  • Álvaro Oliveira Unidade Local de Saúde de Matosinhos, EPE – Hospital Pedro Hispano, Sra. da Hora, Portugal
  • Guilherme Bastos Unidade Local de Saúde de Matosinhos, EPE – Hospital Pedro Hispano, Sra. da Hora, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7353

Palavras-chave:

LDL-c, HDL-c, Apolipoproteína-B, Lipoproteína(a), risco cardiovascular

Resumo

Enquadramento: A hipercolesterolemia é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a principal causa de mortalidade global [1]. O colesterol circula no sangue associado a lipoproteínas. Nas de baixa densidade é transportado para os tecidos, sendo vulgarmente designado por “mau colesterol” (LDL-c) [2]. Já nas de alta densidade o “bom colesterol” (HDL-c) é transportado inversamente para o fígado [3]. Esta tradicional dicotomia é, contudo, alvo de discussão [4], uma vez que biomarcadores como a Apolipoproteína-B (ApoB), Lipoproteína(a) [Lp(a)] e colesterol remanescente têm demonstrado maior relevância, embora permaneçam desvalorizados na prática [2,5]. Objetivos: Discutir a dicotomia “bom/mau colesterol” e a importância de outros biomarcadores, através da análise das recomendações farmacológicas vigentes. Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa, utilizando-se as bases de dados Pubmed, Science Direct e guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia. Resultados: Fármacos que diminuem o LDL-c revelaram eficácia e segurança a nível cardiovascular, sendo recomendados atualmente [2]. Contrariamente, fármacos que aumentam o HDL-c apresentaram falhas significativas em ensaios clínicos que podem ser explicadas por limitações metodológicas, heterogeneidade das subpopulações de HDL estudadas e pela compreensão incompleta da sua função. Como consequência, foi abandonada a hipótese de cardioproteção pelo aumento do HDL-c, bem como a ideia do mesmo representar o “bom colesterol” [4]. O LDL-c permanece o principal alvo terapêutico [2], contudo a ApoB por quantificar o total de partículas aterogénicas em circulação, a Lp(a) cuja concentração é determinada geneticamente e que confere maior risco por partícula [2] e o colesterol remanescente associado a partículas ricas em triglicéridos [5], surgem como melhores marcadores de risco. Conclusões: Destaca-se que a visão de “bom/mau colesterol” é simplista e pode induzir em erro profissionais de saúde e doentes; a avaliação do risco cardiovascular deve ser baseada no LDL-c, mas também nos restantes biomarcadores que permitem melhor estratificação do mesmo.

Referências

1. Tan SCW, Zheng BB, Tang ML, Chu H, Zhao YT, Weng C. Global Burden of Cardiovascular Diseases and its Risk Factors, 1990–2021: A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study 2021. QJM. 1 de junho de 2025;118(6):411–22. doi:10.1093/qjmed/hcaf022

2. Mach F, Koskinas KC, Lennep JER van, Tokgözoğlu L, Badimon L, Baigent C, et al. 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Atherosclerosis. 1 de outubro de 2025;409. doi:10.1016/j.atherosclerosis.2025.120479 PubMed PMID: 40885687.

3. Ouimet M, Barrett TJ, Fisher EA. HDL and Reverse Cholesterol Transport: Basic Mechanisms and their Roles in Vascular Health and Disease. Circ Res. 10 de maio de 2019;124(10):1505–18. doi:10.1161/CIRCRESAHA.119.312617 PubMed PMID: 31071007; PubMed Central PMCID: PMC6813799.

4. Toth PP, Barter PJ, Rosenson RS, Boden WE, Chapman MJ, Cuchel M, et al. High-density lipoproteins: A consensus statement from the National Lipid Association. Journal of Clinical Lipidology. 1 de setembro de 2013;7(5):484–525. doi:10.1016/j.jacl.2013.08.001

5. Ference BA, Kastelein JJP, Ray KK, Ginsberg HN, Chapman MJ, Packard CJ, et al. Association of Triglyceride- Lowering LPL Variants and LDL-C–Lowering LDLR Variants With Risk of Coronary Heart Disease. JAMA. 29 de janeiro de 2019;321(4):364–73. doi:10.1001/jama.2018.20045

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Publicado

06-10-2026

Como Citar

Ribeiro, A., Oliveira, Álvaro, & Bastos, G. (2026). Hipercolesterolemia: revisão de conceitos e orientações. Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 4(2), 29. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v4i2.7353

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