Mulheres e a Arquivologia no Brasil

gênero e o imaginário do pioneirismo sob uma perspectiva socio-histórica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6980

Palavras-chave:

gênero, mulheres, raça, arquivos, Arquivologia

Resumo

O presente estudo problematiza a construção do imaginário que posiciona as mulheres como pioneiras na constituição da Arquivologia no Brasil, questionando se tal protagonismo simbólico reflete sua efetiva valorização institucional. A tese central sustenta que, embora as mulheres tenham desempenhado papel relevante na consolidação do campo arquivístico brasileiro, sua atuação foi historicamente silenciada pelas estruturas patriarcais, racistas e classistas que permeiam as instituições e a produção do saber. O objetivo geral é analisar criticamente a presença e o reconhecimento das mulheres na Arquivologia e nos arquivos brasileiros. Como objetivos específicos, busca-se: (1) refletir sobre as interseções entre gênero, raça e classe na trajetória da Arquivologia; (2) identificar as contribuições femininas para a formação do campo; e (3) problematizar os discursos hegemônicos sobre protagonismo e representatividade. A metodologia adotada é qualitativa, com revisão bibliográfica, análise de periódicos especializados e investigação da atuação de mulheres em cargos de liderança e no associativismo arquivístico. Os resultados indicam que, apesar de sua expressiva participação histórica, as mulheres — especialmente as negras — ainda enfrentam obstáculos à visibilidade e ao reconhecimento institucional. No entanto, as recentes nomeações de gestoras negras para o Arquivo Nacional representam avanços importantes na democratização da memória e no fortalecimento de uma Arquivologia crítica, plural e interseccional.

Biografias Autor

Raquel Luise Pret, Universidade Federal Fluminense/UFF

Professora adjunta do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense (GCI-UFF). Ministra atualmente disciplinas de Extensão Universitária I e II para o curso de Arquivologia. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense (PPGCI-UFF) responsável pela disciplina Trajetos e Horizontes Epistemológicos em Ciência da Informação. Autora do livro "Do que se trata? A indexação em arquivos de universidade", publicado pela editora Eduff. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense (2019). Mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2010). Arquivista, com bacharelado pela Universidade Federal Fluminense (2012). Historiadora, com Licenciatura Plena pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2005). Membro do grupo de pesquisa certificado pelo CNPq, Sociedade, Memória e Poder. Desenvolve análises sobre indexação, arquivos, documentos de arquivo, informação, memória e patrimônio. Atualmente tem se dedicado aos estudos sobre gênero, raça, classe e decolonialidade nos arquivos.

Carolina Gonçalves Alves, Fundação Getúlio Vargas/FGV

Doutora em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPCIS UERJ), atua como Analista de Documentação e Informação no CPDOC da Fundação Getulio Vargas e é professora permanente do Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais (PPHPBC FGV CPDOC), onde coordena a Documentação desde 2023. Atualmente, está na coordenação do Comitê de Pesquisa Memória e Sociedade da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e integra o Comitê Executivo da Rede Arquivos de Mulheres (RAM). Além disso, coordena o Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Interseccionalidades (NEGRI), grupo de pesquisa do CNPQ. Sua atuação se concentra na Sociologia, com ênfase na Sociologia da Cultura, abordando temas como memória, arquivos, raça, gênero, poder e representação. Seu trabalho abrange a organização e gestão de documentos históricos, acompanhado de uma análise crítica sobre a sub-representação de mulheres nas instituições arquivísticas.

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Publicado

2025-11-10

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Artigos