A internacionalização do movimento Library Publishing
experiências editoriais de bibliotecas do Norte ao Sul global
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6719Palavras-chave:
publicação em bibliotecas, comunicação científica, acesso aberto, Biblioteca Universitária, editoração científica, Cooperação internacionalResumo
O estudo trata do movimento internacional Library Publishing, ou seja, das atividades editoriais conduzidas por bibliotecas universitárias ao redor do mundo, destacando o papel emergente dessas instituições como produtoras e disseminadoras de conhecimento científico. O contexto apresentado evidencia o reposicionamento das bibliotecas diante das transformações na comunicação científica, impulsionadas por tecnologias digitais e pela crise dos modelos editoriais comerciais, o que tem levado essas instituições a assumir funções estratégicas de publicação, em especial para somar-se na defesa do movimento Acesso Aberto.
O objetivo geral é investigar a internacionalização do movimento Library Publishing, apresentando como redes de colaboração e iniciativas institucionais vêm promovendo o fortalecimento e a articulação de bibliotecas universitárias em projetos editoriais próprios. Para isso, a pesquisa emprega uma metodologia bibliográfica e documental de abordagem qualitativa, com ênfase na análise de conteúdo de publicações indexadas em bases nacionais e internacionais, bem como documentos institucionais da Library Publishing Coalition, principal rede de bibliotecas catalisadora desse movimento.
O referencial teórico do trabalho traça a trajetória histórica da relação das bibliotecas com a atividade editorial, recuperando marcos como a criação da Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition (SPARC) e projetos como o DSpace e o Open Journal Systems (OJS), que permitiram às bibliotecas assumir um papel mais ativo na editoração eletrônica e publicação científica. A formação da Library Publishing Coalition em 2013 é destacada como elemento estruturante para a consolidação de uma comunidade internacional voltada ao Library Publishing, promovendo eventos, diretrizes, formação profissional e ferramentas de suporte. Sua atuação conjunta com o grupo especial de interesse em Library Publishing da IFLA (IFLA LibPub SIG) ampliou significativamente a visibilidade das bibliotecas editoras, culminando na criação do mapa global de programas Library Publishing.
O artigo também apresenta experiências editoriais em bibliotecas universitárias de diferentes regiões. Na Europa, destacam-se os modelos híbridos desenvolvidos na Alemanha, Reino Unido e Holanda, em parceria com editoras universitárias e redes de ciência aberta. No Sul Global, são evidenciados projetos na África do Sul, com destaque para a plataforma continental da Universidade da Cidade do Cabo, e na Austrália, onde bibliotecas administram editoras premiadas como a ANU Press. No Brasil, ainda que em estágio de amadurecimento de pesquisas e práticas, o movimento ganha espaço com pesquisas que mapeiam o potencial do bibliotecário como editor, ressaltando desafios estruturais e a necessidade de maior articulação institucional.
Como conclusão, reforçamos que o fortalecimento do Library Publishing passa por reconhecer as bibliotecas como agentes legítimos na cadeia editorial científica, investir em capacitação técnica, articular redes de colaboração globais e fomentar políticas públicas que sustentem financeiramente essas iniciativas. A internacionalização do movimento é, portanto, um processo em construção, que exige atenção à diversidade regional, superação de barreiras econômicas e promoção de práticas editoriais mais inclusivas, éticas e sustentáveis.
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